Apresentação do livro do Monsenhor João Gaspar sobre a I República Portuguesa e a Igreja Católica O Salão Nobre do Teatro Aveirense esteve cheio para ver e ouvir a apresentação do livro “I República e Igreja Católica”, de Monsenhor João Gonçalves Gaspar. Após a preleção do Bispo do Porto, o autor revelou que em 2009 fizera o compromisso íntimo de nada escrever sobre a República instaurada em 1910. Porém, as solicitações a quando do centenário foram tantas que teve de dar o dito por não dito, ou melhor, o pensado por não pensado, pelo que o livro de 176 páginas aí está, contrariando o “compromisso felizmente não cumprido”.
Mons. João Gaspar, historiador e membro da Academia de História, considera que a I República, apesar de ter representado “horas amargas” para alguns setores da Igreja, foi principalmente uma “viragem positiva” e mesmo “uma libertação” da opressão que já se vinha sentido desde a “experiência liberal e legalista”, anterior à República. Nesse sentido, recordou as palavras de Bento XVI, em 2010, na cidade de Lisboa: “A viragem republicana, operada há cem anos em Portugal, abriu, na distinção entre a Igreja e o Estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja (…)”.
No final da apresentação, no dia 8 de março passado, D. António Francisco louvou a escrita “preenchida pela lucidez da inteligência” e leu a carta enviada por um subsecretário do Vaticano. Na missiva, saudada com palmas, agradecia-se ao Monsenhor o envio ao Papa das obras mais recentes (esta sobre a I República e o volume sobre Pio XII) e a forma exemplar como os sucessores de Pedro têm sido abordados nos escritos do historiador aveirense.
