Mário Duarte e filhos, uma família de desportistas

Aveirenses Notáveis Mário Ferreira Duarte, “o desportista mais completo de Portugal”, a esposa, Maria Teresa de Melo, e os filhos, Mário, Francisco e Carlos, formaram uma família ímpar de desportistas nas mais diversas modalidades. Textos de Cardoso Ferreira.

Mário Duarte

Mário Ferreira Duarte, patrono do Estádio Municipal de Aveiro, nasceu em Anadia, no ano de 1869, mas radicou-se em Aveiro no ano de 1892, casado com a baronesa da Recosta, D. Maria Teresa de Melo.

Futebol, golfe, ciclismo, ténis, remo, vela, natação, esgrima, tiro, foram algumas das modalidades praticadas por Mário Duarte. Em tiro venceu vários troféus em que participou o próprio rei D. Carlos, ganhando nesta modalidade reputação internacional. Foi campeão nacional de ciclismo para amadores em 1896 (Vila do Conde) e em 1898 (Lisboa). No futebol, em 1897, capitaneou o Ginásio Aveirense quando este disputou o primeiro desafio de futebol realizado no Norte do país, contra os ingleses do Real Velo Clube do Porto. No ténis, integrou diversas representações, entre as quais a que se deslocou à Madeira. Na tauromaquia, brilhou como toureiro no Campo Pequeno (1898). Na natação, alcançou o quinto lugar na primeira prova da modalidade realizada em Portugal, ocorrida no Alfeite, em 1906.

No ano de 1905, num plebiscito organizado pelo jornal lisboeta “Os Sports”, Mário Duarte foi apontado como “o desportista mais completo de Portugal”.

Depois de abandonar os campos, Mário Duarte continuou ligado ao desporto na qualidade de dirigente, tendo integrado a embaixada de futebol que Portugal enviou em 1913 ao Brasil e, posteriormente, a Espanha e França. Presidiu ao Congresso da Federação Portuguesa de Futebol.

Em Aveiro, Mário Duarte esteve ligado à fundação do Grupo Futebolista Ilhavense e do Ginásio Aveirense (1893), sempre com a preocupação de acompanhamento médico e preparação física da juventude regional. Foi um dos impulsionadores do movimento que, em 1924, criou a Associação de Futebol de Aveiro. Foi um benemérito local.

Bem relacionado com o rei D. Carlos, Mário Duarte recebeu diversas homenagens públicas como exemplo de dedicação ao desporto. Faleceu em Aveiro, no dia 9 de dezembro de 1939.

Maria Teresa de Melo

Esposa de Mário Duarte, Maria Teresa Faria de Melo, Baronesa da Recosta, foi uma entusiástica praticante desportiva. Embora sem entrar em competições, foi uma distinta amazona, jogadora de ténis e de golfe, exímia atiradora, sendo possivelmente a primeira mulher que em Portugal andou de bicicleta e das primeiras do nosso país a conduzir um automóvel.

Pelo seu humanismo e apoio aos mais desfavorecidos, foi apelidada de “Mãe dos pobres”. Maria Teresa de Melo nasceu em 7 de julho de 1871 e morreu na cidade de Aveiro no dia 3 de novembro de 1929.

Mário Melo Duarte

Mário de Faria e Melo Duarte nasceu em Aveiro, no dia 25 de dezembro de 1900, e faleceu em Lisboa, no dia 24 de maio de 1982, cidade onde tinha fixado residência em finais da década de 1960.

Com apenas dez anos, Mário Duarte participou num concurso hípico, realizado no Luso, no qual ganhou a sua primeira taça. Em 1922, defendeu as balizas de Lisboa, num encontro de futebol contra o Porto. Sócio fundador do clube de futebol “Os Belenenses”, foi o seu primeiro guarda-redes, lugar que já anteriormente ocupara em Aveiro, no Clube dos Galitos. Ainda no Belenenses, praticou atletismo, ingressando posteriormente na equipa portuense do Académico, onde alcançou inúmeros primeiros lugares. Evidenciou-se sobretudo nas provas de velocidade, sendo considerado dos melhores “sprinters” da época.

Em 1926, venceu o IV Campeonato de Ténis das Beiras, disputado na Guarda. De 1927 a 1934, já então cônsul de Portugal em La Guardia, Mário Duarte continua a sua atividade desportiva, contribuindo, nesse domínio, para o estreitamento das relações entre o norte de Portugal e a Galiza. De 1930 a 1933, participou nos campeonatos de ténis Curia-Vigo, organizados pelo “Curia Palace Sports Club”, tendo sido, em 1930 e 1931, campeão de singulares. Pelos seus serviços como cônsul, foi condecorado com a Cruz de Primeira Classe do Mérito Naval (Espanha) e feito Cavaleiro da Ordem Militar de Cristo.

Mário Melo Duarte dedicou cerca de quatro décadas da sua vida à atividade diplomática, que iniciou como cônsul de Portugal em La Guardia (Espanha), entre 1927 e 1934. Em finais dessa década foi cônsul de Portugal em Port-of-Spain (Trinidad). De 1942 a 1945, nos três últimos anos da II Guerra Mundial, Mário Duarte viveu em Berlim, onde desempenhou simultaneamente as funções de cônsul de Portugal e encarregado da defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros na Alemanha, Áustria e Polónia, após o que foi sucessivamente cônsul de Portugal em Havana, Recife, Marselha, Hamburgo, Madrid e Santiago do Chile.

Terminou a sua carreira diplomática no México, onde esteve cerca de cinco anos. Como gratidão pelos bons serviços prestados nesse país, recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Águia Azteca, a Grã-Cruz da Ordem do Direito internacional e o diploma de honra e a “espora de ouro”, da Federação Nacional de Charros Mexicanos, numa festa realizada na Praça Monumental do México. Neste mesmo país viria a conhecer o famoso romancista Hemingway, de quem foi grande amigo.

Pela sua dedicação ao desporto, o governo francês agraciou-o com a medalha de ouro dos desportos. A Câmara Municipal de Aveiro concedeu-lhe, em 1962, a medalha de prata da cidade.

Carlos Duarte

Carlos Júlio Melo Duarte nasceu em Lisboa a 23 de Janeiro de 1904. Morreu em1931.

Praticou equitação, remo, ténis, natação, atletismo, polo aquático, futebol e caça, desporto em que era exímio. Jogou futebol pelo Anadia F. C., do qual foi um dos fundadores, e pela equipa do Liceu de Aveiro, famosa ao tempo.

Carlos Duarte foi nadador do Beira-Mar, onde foi várias épocas campeão regional de polo aquático. Pelo Académico do Porto, praticou atletismo. Foi jogador de “rugby” do Sporting Clube de Portugal, no tempo que este desporto dava os primeiros passos no país, possuindo dotes invulgares para a modalidade. Fez parte de uma tripulação de remo do Clube Mário Duarte, de Aveiro.

Francisco Duarte

Francisco José de Faria e Melo Ferreira Duarte nasceu em Lisboa, no dia 12 de Janeiro de 1905. Foi casado com Maria Manuela Alegre de Melo Duarte.

Tal como o pai, Francisco Duarte praticou diversas modalidades desportivas, com destaque para o futebol, o atletismo, o ténis, o remo, o tiro aos pombos, o hipismo, o hóquei em patins, a caça e a natação. Jogou futebol no Beira-Mar, na Académica, na União de Coimbra e no Anadia, clube de que foi um dos fundadores, tendo treinado as equipas do Recreio Desportivo de Águeda e a Sanjoanense, entre outras. No atletismo sagrou-se campeão nacional (e recordista nacional) de salto à vara, tendo ganho provas também de salto em comprimento, triplo salto, lançamento de peso, lançamento de dardo, e corrida com barreiras.

O seu filho, Manuel Alegre, mais conhecido pela sua atividade política e literária, também praticou diversas modalidades desportivas. Sagrou-se campeão nacional de natação e foi atleta internacional da Associação Académica de Coimbra nessa modalidade.