Beira-Mar passa nos exames da paixão, crença e sacrifício

Beira-Mar 2 – Académica 1 Circunstâncias

Estádio Municipal de Aveiro; sexta-feira 6 de abril de 2012; Beira-Mar 2 (Nildo 56’, 66’) – Académica 1 (Marinho 31’); Árbitro: Pedro Proença (AF Lisboa); 2716 espetadores.

Desfecho justo

Em jogo disputado na sexta-feira, 6 de abril, no Estádio Municipal de Aveiro, o desfecho da partida traduziu-se numa vitória para Beira-Mar, a terceira em casa nesta edição da Liga Zon Sagres, desta feita frente à Académica, um dos adversários diretos na manutenção. Apesar de tudo, este foi um resultado justo numa partida equilibrada com domínio repartido, pouca intensidade e ritmo de jogo baixo. Os estudantes adiantaram-se no marcador, aos 31’, através de Marinho, após um erro clamoroso de Rui Rego. Na segunda parte, com um “bis” de Nildo que havia entrado ao intervalo, a equipa da casa conseguiu a reviravolta no marcador e venceu este jogo que tinha um grau de importância elevado, já que, uma vitória permitiria à equipa de Ulisses Morais respirar melhor e estar cada vez mais perto da manutenção, facto esse que veio a verificar-se, para satisfação da equipa, treinador, sócios e simpatizantes, que, em plena Sexta-feira Santa não se coibiram e estiveram no estádio em bom número a apoiar a equipa aveirense.

Lutando contra tudo

e contra todos

Este eterno dérbi regional, começou com os aveirenses a entrar algo tímidos em jogo, mas ao mesmo tempo muito organizados em toda a largura do terreno, dando o domínio nos primeiros quinze minutos aos visitantes. Pertenceram à Académica as primeiras ocasiões para inaugurar o marcador. À equipa de Ulisses Morais, como se já não bastasse estar perante um adversário que demonstrava ser bastante matreiro no último terço do terreno, eis que surge uma grande contrariedade, à passagem do primeiro quarto de hora, com a lesão de Yohan Tavares, um dos pilares defensivos da equipa, que deu o seu lugar a Bura. Como um azar nunca vem só, à passagem da meia hora, e após um atraso de um colega, Rui Rego, não podendo agarrar a bola com as mãos, chuta-a, mas esta toma um efeito estranho no ar e cai junto de Marinho, que à boca da baliza, perante o desamparado e azarado guarda-redes, só teve de encostar para o golo inaugural. Mesmo lutando contra tudo e contra todos, até ao intervalo a tendência da partida não se alterou, e o Beira-Mar pouco ou nada fez para alterar o rumo negro dos acontecimentos.

Sacrifício, crença

e paixão recompensados

Após o intervalo, o treinador do Beira-Mar fez entrar Nildo para o lugar de Élio, substituição essa que se viria a revelar-se crucial quanto ao desempenho da equipa aveirense na etapa complementar, bem como no resultado final do jogo, na medida em que, foi da cabeça e do pé direito de Nildo que saíram os dois remates que resultaram nos golos auri-negros, após assistências teleguiadas de Balboa. Com um espírito totalmente renovado, muito suor, humildade e uma grande coragem, o Beira-Mar entrou na segunda parte bastante mais pressionante e com vontade de dar a volta ao rumo dos acontecimentos. E conseguiu-o. A equipa da casa viu assim recompensado o sacrifício, crença e paixão aplicados neste jogo que em nada foi fácil para estes jogadores, pois, após todas aquelas contrariedades na primeira parte, viram-se privados, no segundo tempo, de uma das unidades que mais se tem evidenciado nos últimos jogos dos aveirenses, Zhang, que fora expulso à passagem dos sessenta minutos por contestar fervorosamente uma decisão do árbitro que desfavorecia a sua equipa.

Vitória saborosa

Depois de uma primeira parte muito combativa, repleta de adversidades e de grande luta, a equipa do Beira-Mar transfigurou-se e fez das tripas coração, unindo-se em torno de um desejo comum de alcançar a vitória. Conseguiu, com muito mérito, esforço e dedicação, uma vitória saborosa em altura de Páscoa, numa partida que tinha tanto de difícil como de importante para os comandados de Ulisses Morais.

João Paião