Livro 10 ateus que mudaram de autobus
José Ramón Ayllón
160 páginas
Gráfica de Coimbra 2
No início de 2008 surgiram em Londres alguns autocarros que diziam: “There’s probably no God. Now stop worring and enjoy your life” (“Provavelmente, Deus não existe. Deixe então de se preocupar e desfrute a vida”). Promovia a iniciativa a Associação Humanista Britânica (em alguns países os ateus intitulam-se “humanistas”). Copiaram-na outras cidades europeias. A seguir apareceram autocarros com mensagens cristãs (agora, com a visita do Papa ao Reino Unido, há autocarros a pedir a ordenação de mulheres, mas essa é outra história).
Esta luta de autocarros é capaz de ter sido mais favorável à causa de Deus do que desfavorável. A descrença não precisa de apóstolos. Pelo contrário, até a negação de Deus obriga a nomeá-lo. E o “provavelmente”, levado a sério, só significa que há uma grande margem de erro na mensagem – ou seja, probabilidades para Deus nas mensagens dos que o querem negar.
Este livro de José Ramón Ayllon, um antigo professor do secundário que agora se dedica à escrita de sentido cristão, serve-se dessa polémica para falar de 10 convertidos, 10 pessoas que deixaram o autocarro (“autobus” e “autobuses” são traduções incomuns e infelizes dos termos espanhóis “autobús” e “autobúses”) da descrença para entrarem no autocarro do cristianismo (católico mas também anglicano e ortodoxo). Noutros tempos falava-se em barca. 10 pessoas que pensavam, diziam, escreviam que provavelmente Deus não existe, mas que deram com Ele quando estavam empenhadas em investigações científicas, quando mergulhavam em estudos literários ou na escrita de romances, quando entraram fortuitamente numa igreja vazia (Frossard), quando contemplavam o rio Sena em Paris (Yepes), ou quando diziam mecanicamente o Pai-Nosso como exercício de yoga (Goricheva), já que Deus escreve direito nas circunstâncias comuns e incomuns. Mas os caminhos que a Ele nos conduzem podem ser sinuosos. E às vezes só a meio do percurso reparamos que apanhámos o autocarro errado.
Os 10 ex-ateus de que este livro fala são…
1. Francis Collins (EUA, 1950 – …), cientista da área de genética, director do Projecto Genoma Humano, responsável pelo mapeamento do DNA humano.
2. Ernesto Sábato (Argentina, 1911 – …), cientista de formação, tornou-se escritor no final da II Guerra Mundial. Ensaísta de renome.
3. Fiódor Dostoievski (Rússia, 1821-1881), escritor russo, autor de “Crime e Castigo”, “O idiota” e “Os irmão Karamazov”.
4. Tatiana Goricheva (URSS, 1947 – …), fundadora do movimento feminista soviético. Foi expulsa do país após a conversão. Escreveu o livro “É perigoso falar de Deus”.
5. C. S. Lewis (Irlanda do Norte, 1898 – Inglaterra, 1963), escritor, professor de Literatura, autor de “As Crónicas de Nárnia”.
6. André Frossard (Franca, 1915-1995), filho do fundador do Partido Comunista Francês, jornalista e escritor. Foi biógrafo de João Paulo II.
7. Edith Stein (Alemanha, 1891-1942), de ascendência judaica, foi aluna do filósofo Edmund Husserl. Baptizou-se aos 20 anos e entrou para as carmelitas. Morreu no holocausto de Auschwitz.
8. Vittorio Messori (Itália, 1941 – …), jornalista, autor das “Hipóteses sobre Jesus” e de livros sobre o Opus Dei, João Paulo II e Joseph Ratzinger.
9. Narciso Yepes (Espanha, 1927-1997), guitarrista com dezenas de discos gravados (música erudita), membro da Real Academia de Belas Artes.
10. Gilbert K. Chesterton (Inglaterra, 1874-1936), escritor, romancista e polemista, autor de “Ortodoxia” e de uma série de livros sobre o Padre Brown, sacerdote e detective.
J.P.F.
