
Terceiro encontro sobre os recasados e a Igreja contou com a participação de duas dezenas de recasados entre 130 pessoas.
Realizou-se no dia 7 de março, em Avanca, o terceiro debate sobre o tema dos recasados na Igreja que o grupo de leigos de Aveiro havia planeado em meados de 2012.
Este debate, que chegou a estar agendado para o mês de outubro de 2013 e teve de ser adiado pelo falecimento do bispo emérito de Aveiro, D. António Marcelino, realizou-se agora subordinado ao tema “Divorciados Recasados, Integrados na Igreja?” e teve a moderação do professor Carlos Borrego e a participação do padre Georgino Rocha, convidado a substituir o D. António Marcelino no acompanhamento deste grupo de leigos, do padre Francisco Martins, responsável pela pastoral familiar diocesana, assim como de um católico divorciado e recasado.
Neste encontro, em que se fez uma homenagem ao D. António Marcelino e ao seu projeto de plena integração dos casais recasados na Igreja, estiveram presentes mais de 130 pessoas. É de realçar que um número significativo (leigos e sacerdotes) pertencia à diocese de Porto (Ovar, Oliveira de Azeméis e Espinho). Num pequeno inquérito efetuado, 21 pessoas identificaram-se como recasadas e 15 como sacerdotes. Todos os participantes se mostraram interessados e foram capazes de enriquecer o debate com testemunhos de fé, marcados, alguns, por grande sofrimento pessoal e familiar.
Os casos de abandono, de violência conjugal e de situações em que apenas um dos cônjuges é recasado dominaram o debate, em particular pela sensação de injustiça transmitida pelos protagonistas. Ficou patente, mais uma vez, a necessidade de se falar sobre este tema, de se auscultar as pessoas e famílias que vivenciam este tipo de situação irregular e de informar os católicos, leigos e não leigos. Os próprios sacerdotes admitiram a necessidade de terem maior formação nesta área pastoral. Não existem respostas absolutas, antes existem princípios e valores, que ao invés de fecharem portas indicam caminhos de esperança.
Resta-nos agradecer o apoio inestimável que desde o início D. António Francisco deu a este grupo e que tão bem manifestou na mensagem lida no final do encontro (ver notícia nesta página), deixando a certeza de que estas e outras iniciativas sempre terão bom acolhimento na Igreja, já que visam a defesa do valor e sentido da Família e correspondem ao desafio do próximo sínodo, «Desafios Pastorais da Família no contexto da Evangelização».
João M. Querido
Iniciativa a “consolidar e prosseguir”, diz D. António Francisco
Na mensagem que foi lida no final do encontro, D. António Francisco agradeceu aos organizadores e intervenientes no encontro e recordou o que escreveu no prefácio do livro “Alianças Partidas”, do Padre Manuel Joaquim Rocha: “A Igreja é também a casa dos cristãos divorciados e daqueles que se recasaram. A nossa pastoral familiar deve estar atenta aos novos problemas e realidades da família. Neste contexto surgem os divorciados recasados. Urge incutir nos divorciados recasados esperança efetiva e afetiva de reconhecimento e de acompanhamento por parte da Igreja e incentivar novos caminhos em que as pessoas e famílias nesta situação se encontrem com a bondade de Deus e sintam a presença materna da Igreja”.
Aos participantes do encontro realizado no salão do Centro Social Paroquial de Avanca, D. António Francisco convidou a prestar atenção às palavras e aos sinais que o Papa vai oferecendo. “Já se avançou muito em pouco tempo na forma como cada um de nós, cristãos, leigos e sacerdotes, e cada uma das nossas comunidades nos posicionamos pastoralmente face a esta realidade”, disse. Apelou ainda à oração e ao acompanhamento do sínodo extraordinário sobre a família (outubro de 2014) e manifestou alegria pelo pioneirismo da iniciativa do grupo de leigos aveirenses, a qual “dia a dia se apresenta mais atual”. “Tenho a certeza de que se trata de uma experiência já afirmada e reconhecida que urge agora consolidar e prosseguir. É esse o meu desejo! Quero que seja essa também a nossa certeza!”, afirmou.
