
Igreja de São Pedro da Palhaça foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1964. Diversas iniciativas assinalam meio século da nova igreja paroquial.
A paróquia da Palhaça, no arciprestado de Oliveira do Bairro, comemora no próximo dia 15 de agosto meio século da sagração da sua igreja matriz. Para assinalar este meio século está a ser ultimado um programa, sob o mote “Alegria – juntos erguemos sonhos”, que procura recordar a tenacidade da geração de palhacenses que ousou sonhar a nova igreja, sublinhando desse exemplo o testemunho de coragem nos sete anos decorridos até à sua concretização e a alegria aquando da sua inauguração. É também evocando essa alegria que desde o passado dia 27 de junho e durante 50 dias os sinos se fazem ouvir do alto da torre da igreja, sempre pelas 16h00, evocando esse momento de júbilo de agosto de 1964.
O programa desta comemoração, que decorre principalmente nos dias 14 e 15 de agosto de 2014, na vila da Palhaça, bem como a partilha de memórias em torno deste meio século de história, podem ser acompanhados na página oficial deste projeto em http://www.juntoserguemossonhos.com ou na página do Facebook.
Na semana passada arrancaram os encontros com os voluntários que foram convocados para o Coro 50, que animará a Missa das 10h30, no dia 15, e para a Estrada de Luz, isto é, a procissão das velas entre a igreja antiga e a nova do dia 14, às 21h, e ainda para o momento evocativo “14.08.14”, que consistirá num espectáculo multimédia no dia 14 de agosto, às 22h30. Haverá ainda uma exposição para ver na igreja matriz na tarde de 15 de agosto.
Compra do terreno em 1955
A inauguração igreja da Palhaça mereceu destaque na edição do Correio do Vouga de 7 de agosto de 1964 e nas seguintes. O pároco de então, P.e Manuel de Oliveira, contou como a ideia já vinha desde o século XIX, principalmente a partir do momento em que o cemitério deixara de ser no adro da igreja velha para passar para o centro da freguesia, isto numa época em que a Palhaça integrava o concelho de Aveiro. Quando chegou à paróquia, em 1947, foi logo constituída uma comissão que “chegou a andar de porta em porta”, falando da ideia e comprometendo cada família.
O passo decisivo aconteceu, contudo, no outono de 1955, quando a Junta Autónoma das Estradas (JAE) quis expropriar o largo da igreja velha para alargar a estrada de Vila Nova. O director da JAE e D. Domingos da Apresentação Fernandes, então bispo auxiliar, foram falar com o pároco da Palhaça. Contou o P.e Manuel ao Correio do Vouga: “Um pouco aborrecido com esta questão, e lembrando-me da igreja nova, veio-me o pensamento – Deus me perdoe – de que a estrada apanhasse não só o adro, mas toda a igreja porque assim sempre teria então de fazer-se uma nova. E comuniquei este desabafo àqueles tão ilustres visitantes”. Ora eles insistiram que o pároco não devia desistir. “Tente, Sr. Prior, tente mais uma vez. Pode ser que desta vez vá”, disse-lhe D. Domingos. “Sim, irei tentar, mas será a última vez”. E assim aconteceu. A igreja velha não foi expropriada, mas no dia 18 de novembro de 1955 foi assinada a escritura da compra do terreno para a igreja nova. Antes do final do ano, fez-se o primeiro peditório em toda a freguesia, “atingindo-se mais de 40 contos”. Estava lançado o movimento que só terminaria nove anos depois, com a inauguração da nova igreja.

