Na abertura do ano lectivo, Manuel Assunção destacou questões pedagógicas. Os convidados realçaram a ligação universidade/empresa e necessidade de qualificação dos portugueses.
“Foi o acreditarem no nosso projecto que determinou o preenchimento de 99% das vagas disponibilizadas pela UA (…) e que três das nossas escolas politécnicas tenham visto todas as suas vagas de ensino presencial diurno serem ocupadas”, disse com satisfação o reitor da Universidade de Aveiro, Manuel Assunção, na primeira abertura de ano lectivo a que presidiu, no dia 22 de Setembro.
Numa cerimónia que não incluiu a habitual entrega de prémios aos melhores alunos (o reitor somente fez referências a alguns alunos e professores que se distinguiram por trabalhos publicados ou cargos desempenhados), destacaram-se as questões pedagógicas, no discurso do reitor, e a contribuição do Ensino Superior para a qualificação dos portugueses, nos discursos do presidente da Associação Empresarial de Portugal e do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (ver caixas).
Manuel Assunção notou que as mudanças de Bolonha (acordo para a equiparação do ensino superior europeu) têm que “propiciar maior mobilidade física de estudantes e professores” e mobilizar “novos públicos”, em vez de simplesmente “substituir uma arquitectura de graus por outra”. E observou, com insatisfação, que os estudantes “reconhecem que tiram reduzido partido das amplas possibilidades de contacto com os docentes fora do contexto das aulas”. Para que o “desígnio da internacionalização” seja assumido por todos, defendeu a introdução da disciplina de Inglês em mais cursos.
No capítulo do desenvolvimento físico da UA, afirmou que, “a curto prazo”, avançará a construção da Escola de Saúde, do Complexo Interdisciplinar de Ciências Físicas e das novas infra-estruturas científicas e tecnológicas, que incluem sete unidades de investigação. A isto junta-se a “reabilitação do núcleo inicial da antiga Companhia Aveirense de Moagens”, que fará aumentar “a capacidade de instalar alunos em pós-graduação”. Referiu ainda o início da edificação da Escola Aveiro-Norte, “a cargo da autarquia de Oliveira de Azeméis”, “parceira nesta aventura comum”.
Logo no início da sua intervenção, o reitor leu uma mensagem de Mariano Gago, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em que este destacou os exigentes objectivos do Programa de Desenvolvimento, elaborado pela UA, enquanto fundação pública de direito privado. Segundo Mariano Gago, “serão superados e renovados contribuindo para a rápida qualificação superior da sociedade portuguesa (…), objectivo último do Contrato de Confiança”. No dia 13 de Setembro, as instituições de Ensino Superior e o Governo assinaram um Contrato de Confiança que aponta para a qualificação de mais de 100 mil activos nos próximos quatro anos.
J.P.F.
É prioritário qualificar
os que têm entre 30 e 34 anos
do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, observou que os programas governamentais apontam para a qualificação de mais de cem mil activos nos próximos quatro anos e que a principal faixa etária a que se destina este esforço de qualificação superior é a dos 30 aos 34 anos, onde Portugal, “apesar de ter evoluído favoravelmente, passando de 11% em 2000 para 22% em 2008, continua muito abaixo dos valores europeus”. A meta é atingir 40% de qualificação para essa faixa etária, o que obriga a manter a “prioridade de financiamento para o ensino superior, num contexto de exigente e rigorosa consolidação orçamental”.
Como ligar as universidades às empresas
José António Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal, realçou que “o conhecimento e a inovação são cada vez mais os motores das economias dinâmicas e competitivas”e defendeu que a cooperação entre Universidade e empresas passa principalmente pela adequação entre a oferta e a procura de competências”. Havendo um “longo caminho a percorrer para a aproximação de dois mundos que mantêm culturas e linguagens ainda profundamente distintas”, deixou três propostas:
* fazer depender o financiamento público às instituições de investigação e desenvolvimento de tecnologia dos contratos que estabelecem com as empresas;
* fazer depender a progressão nas carreiras académicas da relevância social e económica do conhecimento produzido, valorizando como critério a colaboração dos académicos com as empresas ou a formação de empresas pelos próprios académicos;
* promoção de estágios de jovens investigadores em empresas.
