Presença feminina no Vaticano II

As 23 mulheres do Concílio
Adriana Valerio
Paulinas
200 páginas
13 euros

 

O Dia da Mulher já lá vai. Se é necessário para alguma coisa – porque todos os dias são dias das mulheres e dos homens –, é para lembrar que em muitos âmbitos da sociedade há, de facto, discriminação das mulheres só pelo facto de serem mulheres. Vale a pena, por isso, trazer aqui um livro que já tem dois anos, mas que é, dependendo dos pontos de vista, sinal de uma discriminação secular ou de uma crescente igualdade de direitos homem / mulher. Uma igualdade “ainda não”, “mas já”.
Discriminação secular (“ainda não”) porque no Vaticano II (1962-56), entre os mais de dois mil bispos e centenas de peritos não-bispos, marcaram presença na aula conciliar apenas 23 mulheres como auditoras, sendo dez religiosas e três leigas, ainda que outras tenham sido consultadas em assuntos específicos (ver pág. 50 e 51).
Mas crescente igualdade de direitos (“mas já”) não só porque o papel público da mulher nos restantes âmbitos da sociedade era limitado há 50 anos como nos concílios que antecederam o do séc. XX não há sinais da presença feminina. Aliás, a mulheres, na realidade, não participaram em todo o Concílio, mas apenas da III e IV sessões, nos dois últimos anos do grande evento eclesial.
Este livro, com algumas fotografias, é o resultado de uma pesquisa de documentos e testemunhos que responde às seguintes perguntas: Quem foram as 23 auditoras? O que representavam realmente? Porque foram escolhidas? Como trabalharam nas comissões? Qual a sua contribuição para a redação definitiva dos documentos?
A autora, Adriana Valerio, é historiadora e teóloga, professora de História do Cristianismo e das Igreja numa universidade de Nápoles. Foi presidente da Associação Feminina Europeia para a Investigação Teológica. Reconhece que “o Concílio não desatou todos os nós nem faltaram reticências e omissões”. Contudo, adianta: “Se pude escrever este livro, devo-o ao Concílio” (pág. 182).

 

Mulheres conciliares. Maria-Louise Monnet (francesa, 1902-1988),  a primeira mulher a entrar na aula conciliar, no dia 25 de setembro de 1964, e Mary Luke Tobin (norte-americana, 1908-2006)
Mulheres conciliares. Maria-Louise Monnet (francesa, 1902-1988),
a primeira mulher a entrar na aula conciliar, no dia 25 de setembro de 1964, e Mary Luke Tobin (norte-americana, 1908-2006)