Questões Sociais O Estado Social, abordado no artigo anterior (4 de Agosto de 2010), confronta-se com três cenários de evolução possível: o seu esmagamento pela economia; o esmagamento desta por ele; e a sua viabilização económica. O esmagamento pela economia pode resultar da impossibilidade ou recusa de esta suportar os impostos e contribuições necessários para a manutenção do Estado Social. O esmagamento da economia pelo Estado Social pode resultar do extremismo populista, que reivindica sempre mais direitos e prestações sociais, como se os recursos financeiros fossem ilimitados; este extremismo acha-se muito difundido na sociedade portuguesa, e é denunciado por economistas e outros peritos. O terceiro cenário – viabilização do Estado social pela economia – apela a um entendimento consistente entre as forças económicas, sociais e políticas envolvidas; porém, isso ainda não acontece e, pelo contrário, vem predominando a luta entre os dois extremismos, que redunda em aumento do desemprego, bai-xos salários, trabalho precário, insuficiente cumprimento da legislação do trabalho e da segurança social…
Portugal tem a «sorte» de todos os partidos representados no Parlamento defenderem o Estado Social, desde o início da vigência da actual Constituição da República; cada partido defende, naturalmente, a sua própria concepção, mas nenhum optou pela contestação. Verifica-se, porém, que eles se encontram profundamente divididos; alguns entendem mesmo que outros são contrários ao Estado Social pelo simples facto de defenderem uma concepção diferente.
Tudo se passa como se, na realidade, nenhuma força política defendesse o Estado Social; cada uma parece tão obcecada com os seus próprios interesses que se desinteressa do bem comum e da procura dos entendimentos necessários. As forças, parlamentares e extra-parlamentares do extremismo populista querem tanto o «seu» Estado Social que «dão cabo dele», exigindo-lhe o que não é capaz de dar. As forças, parlamentares e extra-parlamentares do extremismo económico vivem tão absorvidas nos meandros da competitividade económica e empresarial que parece não verem mais nada.O terceiro cenário – o da viabilização económica do Estado Social – é, de longe, o mais difícil e o mais recomendável; ele implica o desenvolvimento harmónico da dimensão social na esfera económica, e da dimensão económica na esfera social; ou melhor, a conciliação entre o económico e o social. Seremos capazes de o levar por diante?
