Nós… e os outros

JOÃO QUERIDO

Elemento das Equipas de Nossa Senhora

Constata-se uma diminuição dos fiéis católicos nas missas dominicais. Será que tudo se explica com a diminuição da população? Ou com a crise que atravessamos? Queria assim partilhar convosco alguns pensamentos que me ocorrem.

Não há dúvida de que a nossa sociedade não cresce em número de indivíduos ou se cresce é devido à imigração de alguns povos do chamado Leste Europeu. Mas será que isso justifica o facto de virem menos pessoas aos templos? Não. O problema está centrado na tão propagada crise de valores da dita «civilização ocidental europeia».

Há um decréscimo da presença de Deus nas nossas vidas. Cada vez mais são os mesmos que estão em tudo. Cada vez mais é difícil descobrir uma família que possa dar um testemunho cristão. É mais fácil e cómodo dizer que deixamos de ter fé ou que fazemos as nossas orações sem ser preciso ir à Igreja. Ou então culpar o pároco ou o Santo Padre pelas suas práticas e opiniões. Por fim, inventamos aquele estatuto, que eu próprio já usei em tempos, de «cristão não praticante».

Certo, mas todos os muçulmanos, estejam onde estiverem, fazem sempre as suas cinco orações diárias ajoelhados para Meca. Um judeu, no Sábado, vai sempre à Sinagoga. E nós? Quantas vezes por ano, a começar por mim, vamos rezar, por exemplo, à Capelinha do Santuário de Fátima?

Iniciou-se o Ramadão, período de um mês em que os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr-do-sol. E nós, nos dois dias da Quaresma obrigatórios, jejuamos mesmo? E abstemo-nos de uma alimentação rica? O Deus é o mesmo, as práticas e a militância é que são diferentes.

Com o decréscimo de natalidade galopante (actualmente apenas 1,5 filhos por mulher), somos cada vez menos. Mas os muçulmanos entram no espaço europeu num número crescente (é cada vez mais necessária a sua mão de obra) e reproduzem-se muito mais rapidamente (nalguns países a taxa de natalidade eleva-se a 6 filhos por mulher).

Há dias, um seu responsável, numa entrevista passada às 2 da manhã numa cadeia de televisão qualquer, dizia-se convicto de que a Europa, pouco a pouco, seria muçulmana porque já cá estão 20 milhões de missionários. Reparem, empregou o termo «missionários»! Aqueles mesmos que esta nação de Portugal enviou, no tempo dos descobrimentos, a evangelizarem o Mundo. E agora, nem missionários de Cristo conseguimos ser no seio da nossa comunidade, quanto mais em relação aos não crentes! Em Inglaterra, as mesquitas já recebem semanalmente mais crentes que a Igreja Anglicana. Em Espanha, a população árabe de Córdova está a pressionar para que a Grande Mesquita volte ao culto muçulmano. A continuar tudo assim, será que no tempo dos nossos netos teremos alguns países europeus com uma maioria muçulmana?

Vamos pedir a Nossa Senhora da Assunção, cujo culto recentemente comemoramos, que nos dê força, através do Espírito Santo, para que as maravilhas que Deus operou nela sejam uma motivação para recuperar o tempo perdido. Deus pode ser o mesmo mas Jesus Cristo, que ressuscitou dos mortos, é que é só um. Portugal tem de continuar a ser a Terra de Santa Maria!