Olho de Lince A quantia era irrisória – era um cêntimo. Mas o gesto não deve passar sem registo.
Bateram-me à porta do gabinete. Mandei que entrasse, quem quer que fosse. Dois pequenos de palmo e meio, pouco mais altos do que a secretária por trás da qual me entregava ao trabalho.
“Encontrámos esta moeda. Sabemos que é pequenina. Perguntámos aos colegas que estavam ali à volta. Não era de nenhum deles. Está aqui para pôr no ofertório”.
Agradeci; elogiei a sua honestidade; aproveitei para me inteirar de onde vinham e em que ano e turma estavam. Foi um diálogo breve; mas criou um clima de proximidade, sempre importante em trabalho educativo.
Ao fim de um dia de preocupações e sobrecargas, este gesto teve o encanto de uma deliciosa sobremesa. Quem é fiel nas coisas pequenas virá a receber o encargo de administrar coisas grandes. Espero bem que sim!
Q.S.
