Trabalho e honestidade

Os cidadãos assistem, perplexos e confusos, a um contínuo desaguisado entre os actores políticos do país. Perguntam-se se será mesmo desentendimento a sério ou se a encenação não é um pacto para que sejam sempre os mesmos a pagar a crise.

Seria inconsciência pensar que está tudo bem, que o futuro é risonho, que a retoma da economia é clara e consistente… Só não vê quem não quer: o risco do colapso nacional é evidente. Por isso, os esforços e a contenção de todos são necessários para suspender a voragem que nos leva ao abismo. Só o trabalho e a solidariedade efectiva poderão inverter a situação.

Não compreenderemos nunca é que um Governo venha descartar responsabilidades, lançando sobre a Oposição o ónus da eventual crise política; não entenderemos que a Oposição queira capitalizar dividendos, alijando todos os encargos sobre o Governo. Muito menos entenderíamos que – como sugeriu um candidato à Presidência da República – a ocasião fosse aproveitada para favorecer a candidatura do actual Presidente da República, que apareceria como o “salvador da pátria”.

Certo é que o cenário e as movimentações dos actores deixam o cidadão comum assustado e incrédulo. Quando seria imperativo movimentar a confiança, a adesão e o empenho de todos num esforço de salvação nacional, os motivos e o entusiasmo que nos comunicam deixam muito a desejar.

Apresentem-se com as suas diferenças! Marquem as distâncias com propostas diversas! Mas deixem de ter sob a capa interesses ocultos, pessoais ou de clientelas, para concertar todas as diversidades no objectivo comum de abrir futuro ao País.

A política da “terra queimada” é o caminho aberto para a ditadura. Já sofremos a ditadura política; temos sentido os efeitos da tentação da ditadura ideológica; a ditadura do polvo económico dá no que dá… Será que a democracia não tem viabilidade?…

Vai sendo tempo de aprendermos que temos vivido acima das nossas possibilidades. Sobriedade na gestão da coisa pública, trabalho e honestidade de todos, severa vigilância à corrupção… E não haverá problemas sem solução!