
No dia 25 de outubro, no Museu de Aveiro, decorreu a comemoração dos 156 anos da presença da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) em Portugal.
A seguir à visita guiada ao Museu, muito apreciada pelos vicentinos de outras dioceses do país, seguiu-se uma assembleia com a presença do vigário episcopal para a Pastoral Sociocaritativa, P.e João Gonçalves, em representação do Bispo de Aveiro, António Correia Saraiva, presidente da direção nacional da SSVP e dos convidados P.e Dr. Georgino Rocha e Dr. António Christo.
A seguir à assembleia, os vicentinos participaram na celebração da Eucaristia presidida pelo P.e João Gonçalves na Igreja de Jesus, pequena para acolher todos os presentes. Após a homilia fizeram o seu compromisso nove vicentinos das dioceses de Aveiro e Coimbra, e, perante o presidente da direção nacional, tomou posse a presidente do Conselho Central de Coimbra, Maria Teresa Cunha de Matos, e a presidente da Conferência Vicentina de Santo António de Canelas, Sara Filipe Aguiar Lopes Soares.
Dar amor correndo
todos os riscos
A caridade é ainda frequentemente identificada com dar coisas. Mas a caridade consiste, antes de mais, em dar amor correndo todos os riscos. Como Deus em Jesus. “O amor, recorda o Papa Francisco, nunca pode ser uma palavra abstrata. Pela sua natureza é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam no viver quotidiano” (MV 9). Dar de acordo com as necessidades da pessoa a nível material e espiritual, relacional, intelectual, religioso. Dar para que supere a situação de carência logo que possível e vá ajudando outros que estão em necessidade. Isto é promover o desenvolvimento integral, solidário, sustentado, integrado no cuidado da nossa casa comum, a terra-mãe.
P.e Georgino Rocha (excerto da sua intervenção na celebração)
“Para os pobres
de São Vicente de Paulo”
Aos domingos, no final da missa, quais sentinelas, colocavam-se à porta da igreja (fosse a da Misericórdia, da Sé ou mesmo da de Jesus) a Avó Léna e outras vicentinas, clamando com uma bolsa encarnada aberta nas mãos: “Para os pobres de São Vicente de Paulo”. Sempre me impressionou aquele gesto, e a esta distância compreendo-o melhor. Ser pobre, socialmente, era entendido como vergonha levando muitas vezes ao ostracismo e eram estas senhoras, a quem Deus permitia terem uma vida mais desafogada, que se substituíam aos mais necessitados sendo mendicantes na sua vez. Um exemplo de humanidade, de partilha, de responsabilidade e de entrega e humildade que nunca desprezarei.
António Christo (excerto da sua intervenção)
