D. António Moiteiro: “O apelo vocacional diz respeito a todo o cristão”

A paróquia da Branca acolheu bem e viveu a ordenação
A paróquia da Branca acolheu bem e viveu a ordenação

Na ordenação diaconal de Gustavo Fernandes, o Bispo de Aveiro pediu a padres, famílias e comunidades que façam a proposta vocacional.

 

D. António Moiteiro ordenou diácono o jovem Gustavo Fernandes, no domingo, 15 de novembro, no encerramento da Semana dos Seminários. A celebração decorreu na igreja da Branca, paróquia onde, a par com Ribeira de Fráguas, decorre o estágio pastoral do jovem de 26 anos, natural de Recardães. Significativamente, como observou o Bispo de Aveiro, a Branca tem como padroeiro o diácono S. Vicente, que viveu no final do séc. III. Dirigindo-se ao jovem que receberia o primeiro grau da ordem, com a finalidade esperada de vir a ser padre, explicou que “diácono” significa servidor. “Serás tu, a partir de agora, um servidor, em particular da comunidade cristã da Diocese de Aveiro”, disse-lhe D. António Moiteiro.

Na homilia, pediu que todos colaborem na promoção das vocações porque “o ministério do apelo vocacional diz respeito a todo o cristão”: “Famílias, acolhei com alegria o dom da vocação nascida no vosso seio. Jovens e adolescentes, não vos deixeis seduzir pelo ócio, porque o Reino dos céus precisa de vós; cultivai o encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido numa dinâmica vocacional, segundo a qual Deus chama e o ser humano responde. Paróquias e movimentos apostólicos, sede mediadores da proposta vocacional; dai dimensão vocacional à vossa catequese, de modo que todos possam responder, alegres e felizes, ao bom Deus que chama. Sacerdotes e consagrados, cultivai a oração e a profundidade espiritual, essenciais para a evangelização”.

 

O bispo não tem padres de reserva
Saindo das palavras que levava escritas, o Bispo de Aveiro partilhou que na visita pastoral que está a fazer ao arciprestado de Águeda pergunta aos jovens, “e se Deus te chamasse?”, e apela aos pais para que não sejam “desanimadores, mas incentivadores”, a fim de que uma eventual vocação possa “crescer e amadurecer”. Comentou que a paróquia de Recardães, além do Gustavo, tem outro seminarista no seminário maior e que gostaria que todas as paróquias estivessem nas mesmas condições. “Quem dera… Eu já nem queria tanto, metade chegava”, disse, provocando risos na assembleia. E acrescentou: “Mas não sou eu que quero. É Deus. A nossa diocese pode dar mais. O bispo não tem lá em casa um armário com padres de reserva. Dizem-me: «Dê-nos um padre!» Mas eu não tenho. É bom que tenhais consciência disto. As vocações são dons de Deus, mas temos de chamar”.
No final da celebração, D. António Moiteiro agradeceu às comunidades cristãs, aos seminários e às famílias. “Os maiores benfeitores da Diocese são os pais dos padres, que dão o melhor que têm, os seus filhos”, disse, recordando palavras de D. António dos Santos, quando era Bispo da Guarda.

 

J.P.F.