Livro recorda Sínodo de Aveiro para que a igreja diocesana seja mais participativa

“Igreja Sinodal” é editado pelo Tempo Novo, editora da Diocese de Aveiro
“Igreja Sinodal” é editado pelo Tempo Novo, editora da Diocese de Aveiro

O Sínodo de Aveiro relançou o Vaticano II, o qual foi para a Igreja uma tomada de consciência da necessidade de “ir às periferias”.

 
O P.e Georgino Rocha escolheu o início de dezembro para apresentar o seu novo livro “Igreja Sinodal. A alegria da missão na sociedade secularizada” porque quis que coincidisse com um “tempo especialmente significativo”. O lançamento decorreu na noite de 4 de dezembro, no Centro Universitário Fé e Cultura, perante quase uma centena de pessoas.
O livro evoca diretamente o Sínodo de Aveiro, cujas decisões entraram em vigor no dia 11 de dezembro de 1995, há 20 anos, portanto, mas há mais motivos relacionados com o espírito do livro. Em Paris, decorre a cimeira do clima, de certo modo antecipada pela encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco. O Jubileu da Misericórdia estava prestes a começar, a 8 de dezembro, dia em que se completavam 50 anos sobre o encerramento do Concílio Vaticano II. Ora o Sínodo de Aveiro relança o Vaticano II, o qual, por sua vez, foi para a Igreja uma tomada de consciência da necessidade de “ir às periferias existenciais na solidão dos corações”, conforme disse o autor, remetendo para uma expressão muito querida do Papa Francisco.
No livro, P.e Georgino Rocha desenvolve a ideia de sinodalidade, presente num sínodo, mas também em grupos, conselhos e assembleias, como o “estilo típico de ser e agir da Igreja” que quer caminhar com as pessoas num mundo que mudou e muda constantemente. Noutro momento da sessão, que foi moderada por Maria Helena Pinho e Melo, D. António Moiteiro sublinhou a ideia dizendo que “sínodo é «caminhar com», é descentralização, significa participação”. “Às vezes as pessoas dizem-me: «Decida, que nós fazemos». Ora, isto pode parecer mais fácil, mas não é caminhar juntos para discernir aquilo que o Espírito de Deus tem para nos dizer”.

 

Dois testemunhos
No lançamento do livro ouviram-se dois testemunhos da experiência sinodal. Cláudia Ventura, então líder da Juventude Operária Católica, sentiu que o sínodo significou que “finalmente a Igreja queria ouvir os leigos”. Notou que, no Sínodo, por vezes D. António Marcelino se inquietava na cadeira, ouvindo as intervenções, mas respeitava-as sempre. O sínodo foi, em resumo, uma experiência inesquecível de participação e comunhão.
Júlio Pedrosa disse que procurou os seus apontamentos do sínodo mas encontrou antes os do congresso dos leigos, que antecedeu o sínodo. “Talvez afinal eu não tivesse participado assim tanto no sínodo, até porque coincidiu com a morte de Aristides Hall e um acréscimo de trabalhos na Universidade de Aveiro”. O antigo reitor e ministro da Educação, “não muito participante no sínodo, mas muito interessado”, deixou, porém, um testemunho sobre uma igreja diocesana que saía de si própria ao encontro da cultura – com as jornadas Humanismo e Cultura, por exemplo –, uma Igreja atenta às temáticas sociais, uma Igreja “atenta à terra onde vivemos”.