
D. António Moiteiro insistiu no duplo sentido da porta: encontrar-se com Deus através da oração e dos sacramentos; testemunhar a misericórdia no mundo.
“Abramos a porta. O convite é: entrar para o encontro profundo com Deus, mas também sair para anunciar com alegria a Boa Nova do Reino de Deus”, disse D. António Moiteiro no dia 13 de dezembro, pouco depois de abrir a porta da Sé para dar início do Ano da Misericórdia na Diocese de Aveiro.
Os fiéis congregaram-se no adro da Sé de Aveiro, na tarde de domingo, entre explicações sobre a celebração que se seguiria e o cântico “Misericordes sicut Pater” (“Misericordiosos como o Pai” – lema do ano jubilar). Depois da proclamação de um trecho do Evangelho de Lucas sobre a misericórdia e da leitura de um excerto da Bula do Papa Francisco, D. António Moiteiro abriu a Porta da Sé e entrou com o livro dos Evangelhos, seguindo-se clero, escuteiros, cristãos em geral.
Na homilia, o Bispo de Aveiro explicou que “misericórdia significa coração sensível, não um ‘sensível’ no sentido de um simples sentimento, mas um ‘sensível à miséria’, um coração atento à necessidade do outro, sobretudo do frágil, do pobre”. D. António disse que “a misericórdia é o modo de amar de Deus” e convidou a entrar no “dinamismo do perdão e da reconciliação com o próprio Deus e, sobretudo, com o irmão”.
“A grande mensagem de Deus é a misericórdia. Na misericórdia temos a prova de como Deus ama. Deus, Aquele que está presente, que é próximo, providente, santo e misericordioso, não veio para condenar, mas para salvar. A misericórdia de Deus é maior do que qualquer pecado! Paciente e misericordioso é o binómio que aparece, frequentemente, no Antigo Testamento para descrever a natureza de Deus. A Misericórdia é o autêntico nome de Deus. Sendo que Deus é amor-caridade, a misericórdia pode considerar-se o coração de toda a espiritualidade cristã”, disse D. António Moiteiro.
Para melhor vivência do jubileu, o Bispo de Aveiro lembrou os meios tradicionais como o jejum e a caridade, a confissão dos pecados, a peregrinação e a indulgência. No final da celebração entregou a Chave da Misericórdia às paróquias e pediu aos cristãos que, ao saírem, tomassem consciência especial do simbolismo de atravessar a porta, que terá sempre o duplo sentido de entrada e saída. “A porta – disse, depois de afirmar que Jesus se apresenta como “a porta das ovelhas” – é símbolo de entrada e saída: de entrada, enquanto expressão de querer integrar uma comunidade que anuncia, celebra e vive a sua fé; e de saída, enquanto nos abre ao mundo, espaço onde o cristão deve testemunhar a sua fé e construir uma sociedade nova”.
J.P.F.
