Colaboração dos Leitores Nascido entre 315 e 317, em Sabária, no território da actual Hungria, Martinho era filho de um soldado do exército romano e, como mandava a tradição, acabou por seguir a profissão do pai, tendo entrado para o exército com apenas 15 anos de idade.
Apesar de professar a religião dos seus antepassados, adorando os deuses que faziam parte da mitologia dos romanos, o jovem Martinho não era insensível à religião pregada três séculos antes por um homem bom de Nazaré. Um dia aconteceu um facto que o marcou para toda a vida. Numa noite fria e chuvosa de Inverno, às portas de Amiens (França), provavelmente no ano de 338, Martinho ia a cavalo, quando viu um homem quase nu e com um ar miserável, que lhe pediu uma esmola. Como Martinho não levava consigo qualquer moeda, cortou a sua capa ao meio e, num gesto de solidariedade, entregou-a ao mendigo para que este se pudesse agasalhar.
Reza a lenda que o pobre seria o próprio Jesus e que depois deste gesto a chuva parou de imediato e os raios de sol irromperam por entre as nuvens. A partir desse dia, Martinho sentiu-se um homem novo, tendo sido baptizado, provavelmente, na Páscoa de 339.
Como oficialmente só podia abandonar o exército aos 40 anos de idade, Martinho optou pelo exílio para desta forma se afastar da vida militar. Com o tempo, as suas pregações e o seu exemplo de despojamento e simplicidade fizeram dele um homem considerado Santo e muitos seguiram-no, optando pela vida monástica. Em 357, Martinho foi dispensado oficialmente do exército e em 371 aclamado Bispo de Tours. Faleceu em Candes, no dia 8 de Novembro do ano de 397, e o seu corpo foi acompanhado por mais de dois mil monges, tendo chegado à cidade de Tours no dia 11 de Novembro. O seu culto começou logo após a sua morte, tendo-se realizado por toda a Europa muitos festejos em sua honra, na sua maior parte relacionados com cultos da terra. Com votos de bons anos agrícolas, na alegria da troca de saudações não faltava o vinho novo e a água-pé.
Basílio de Oliveira
