O nome ocupa, merecidamente, um dos lugares proeminentes no rol dos escritores do século XX. Gilbert K. Chesterton fez um percurso espiritual que – ele próprio o confessa – nasce na ortodoxia ateia, passa por um agnosticismo perfeito, convive algum tempo com o pessimismo contemporâneo, tenta a saída por uma “rudimentar teoria mística”, para desaguar progressivamente no acolhimento do desafio da fé católica.
Delicia qualquer mente sequiosa de verdade percorrer os escritos deste luminar da pena e do pensamento! Sobretudo em tempos de feroz guerrilha dos defensores de uma falsa liberdade, estropiada e menos que medíocre, com a verdade do homem, a qual a Igreja católica nos propõe na pessoa de Jesus Cristo. Confronto visível, nos últimos dias, durante a visita de Bento XVI a Santiago de Compostela e Barcelona.
Breves citações nos permitem perceber a profundidade das suas convicções. A começar por esta: “Os primeiros cristãos eram pessoas que possuíam uma chave diferente de todas as outras, (…), aquela que podia abrir, nada mais, nada menos do que a prisão do mundo inteiro, para sair para o dia luminosos da liberdade”.
Sem receios de pôr frente a frente a razão e a fé, tem expressões lapidares, de rara beleza e indiscutível densidade: “Para entrar na Igreja é preciso tirar o chapéu, não a cabeça”. E denuncia a perversão dos nossos dias: “O homem está feito para duvidar de si mesmo, não para duvidar da verdade. Hoje, porém, inverteram-se os papéis”. Não tem reticências em dizer: “Quando perdemos a fé, perdemos também a razão”.
Quando o cenário europeu nos pode deixar à beira de um pessimismo irrecuperável, vale a pena semear a esperança com mais algumas das suas palavras: “O cristianismo morreu muitas vezes, mas ressuscitou outras tantas. Pelo menos, renasceu na Europa em cinco ocasiões: com os arianos e os albigenses, com os humanistas cépticos, depois de Voltaire e antes de Darwin. Cinco revoluções que lançaram a fé aos cães; e, em cada um dos casos, a fé não pereceu, embora tenham perecido os cães”.
Optimismo contagiante, bebido em quem veio do colete de forças da ortodoxia ateia para a fé católica, onde sente “a brisa da liberdade numa terra maravilhosa”.
