O trigo e o joio

A memória desdobra-me, hoje, três questões que reputo de capital importância também para o público leitor.

1 – A primeira inspira-se em recentes parágrafos de Inês Teotónio Pereira, no Expresso on-line. E o assunto é o preservativo. As palavras são do Papa: “A mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade; e é precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas já não encontram na sexualidade a expressão do seu amor, mas antes e apenas uma espécie de droga que administram a si próprias”.

O Papa e a Igreja, acusados de desrespeito pela humanidade, optaram por um caminho mais difícil, mas profícuo, em favor dessa mesma humanidade: estar junto das pessoas, apoiá-las, dar-lhes formação… Antes que aparecessem os intelectuais da facilidade na distribuição dos preservativos, há muito tempo a Igreja está com e entre os pobres dos pobres!

2 – A última campanha de recolha de bens alimentares organizada pelo Banco Alimentar contra a Fome ultrapassou todas as expectativas. Curioso como, em tempo de crise, a generosidade se exprime tão claramente, em favor de causas geridas com transparência e cujo objectivo imediato é óbvio.

Gestos interessantes, por exemplo, de quem foi a uma Grande Superfície e já trouxe o saco preparar a contar em entregar na sua terra.

E bonita também a atitude da Associação dos Produtores de calçado: a entrega de produtos novos e de qualidade, para que a dignidade de quem recebe não seja beliscada. Não foram limpar o armazém de excedentes inúteis!

3 – O terceiro tema é repetitivo. Mas tem que ser! Trata-se, ainda uma vez, da arrogância e inconsciência governamental de pretender liquidar o ensino particular e cooperativo, por uma invasão brutal do totalitarismo estatal, por via de equipamentos e legislação.

Gostaria apenas de lembrar algumas linhas das conclusões do Debate Nacional sobre a Educação, conduzido, a pedido da Assembleia da República, pelo Conselho Nacional de Educação, que decorreu de 21 de Maio de 2006 a 22 de Janeiro de 2007, com larga participação de toda a sociedade portuguesa, e sempre na mira de responder à questão “Como podemos melhorar a Educação”.

“A descentralização deve ser inequívoca e deve apostar na autonomia das escolas e das comunidades educativas… As comunidades locais podem reforçar esta autonomia… Estas dinâmicas podem criar os ambientes mais propícios à escolarização de todos, prevenindo o abandono e o insucesso escolar” – pág. 164.

O Governo tem a memória muito curta! Ou então desdenha da sociedade civil – o que é bem pior! O trigo e o joio crescem juntos até à ceifa. O seu destino é que será diferente!