Uma pedrada por semana Os cidadãos que recolheram mais de 90 mil assinaturas, levadas há dias à Assembleia da República para pedir que se considere o referendo como caminho mais respeitador e mais democrático, dada a seriedade do assunto – casamento dos homossexuais -, merecem o nosso respeito, louvor e aplauso.
Foi um movimento de cidadãos conscientes e atentos, cristãos e não cristãos, gente séria e honesta que, não sendo contra ninguém, lutam, muito legitimamente, pela salvaguarda de valores, que vêm sendo espezinhados pelo poder, mais dependente de correntes estranhas, que de serviço à comunidade do país, mais atento aos votos do que às pessoas.
Não se meteu nisto a hierarquia da Igreja, e muito bem, porque não têm os cristãos de andar sempre sob a batuta dos bispos e dos padres, muito menos em campo que lhes é próprio e onde o seu testemunho e empenhamento é, por si, mais eloquente e eficaz.
Os jornais logo disseram, por antecipação, que uma frente de esquerda inviabilizaria o pedido legítimo dos cidadãos livres, que a lei sanciona. Mas que raio de esquerda é esta que se diz ao serviço do social e, portanto, do povo, mas que se aproveita da força para calar a razão. De quem têm medo os partidos de esquerda? A quem pretendem servir? Em linguagem democrática as contradições abundam. Impõe-se disciplina de voto como se de crianças se tratasse ou de gente que alienou a sua cabeça a favor da vontade do chefe. Que democracia! Que país! Que Assembleia! Que vergonha!
Se não agora, a seu tempo se verá onde está a razão e quem defende o povo.
