Uma pedrada por semana Luther King, esse sonhador inesquecível que os inimigos mataram, sem que pudessem matar o seu sonho, comentando um dia, com fé e sabedoria, a parábola do Bom Samaritano disse que as atitudes diferentes dos que viram o homem espoliado, espancado e caído na estrada, o foram, porque ao verem-no eles também fizeram perguntas diferentes. “Que nos pode acontecer se o ajudarmos?” perguntaram a si próprios os que passaram ao lado e só pensavam em si. “Que lhe pode acontecer se eu o não ajudar?”, perguntou também a si o estrangeiro que, de imdiato, desceu da montada e logo se pôs ao seu serviço.
Veio-me à memória este comentário de um cristão comprometido na política, ao ouvir agora as discussões e querelas dos políticos que procuram votos e triunfos pessoais e partidários, e aos quais parece pouco interessar um país necessitado, espoliado e carente de esperança.
Os políticos não enferrujados nem desvirtuados, que conhecem a realidade, podem dizer como Barak Obama no dia da sua vitória: ”Por onde quer que olhemos há trabalho à nossa espera”. E pensar nestoutras palavras suas: “Nós sabemos que a nossa diversidade é um força, não uma fraqueza” e, mais ainda, “ Porque, por mais que o governo possa e deva fazer, a nação assenta, em última análise, na fé e na determinação do povo”. E, para acordar as consciências, também estas palavras do novo presidente: “Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos de que dispomos para os enfrentar podem ser novos. Mas os valores dos quais depende o nosso sucesso – trabalho, honestidade, coragem e fair play, tolerância e abertura aos outros, lealdade e patriotismo – esses são bem antigos. Esses são verdadeiros. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa História”. Nem tudo iria ser fácil, mas apontava-se no sentido certo.
Aos nossos políticos em campanha escasseia agora tempo para meditar e interiorizar propósitos. Mas, se estas palavras lhe caírem debaixo dos olhos, deixem que elas cheguem ao coração. Têm força para despoletar sentimentos e atitudes novas. É isso que nos faz falta.
