A diferença

A diferença! A diferença marcou o discurso do Presidente dos EUA, por ocasião da abertura do ano escolar. Contra todas as expectativas, não foi um discurso sobre teóricas políticas educativas, não foi a “venda” de simpatias eleitoralistas, não foi o auto-elogio dos programas propostos ou das acções realizadas.

Toda a intervenção é dirigida aos alunos. E um veemente apelo à responsabilidade pessoal dos mesmos, em ordem ao sucesso educativo, exemplificando com a sua própria vida e a da esposa e citando casos práticos de pessoas que venceram, apesar das dificuldades de saúde, dos problemas familiares, das falhas e erros cometidos.

E, curioso: descendo ao pormenor da fazer sentir quanto, muitas vezes, aquilo que, no imediato, não parece ter utilidade, é, em verdade, o pressuposto para alcançar os objectivos pretendidos: “Podes ter génio de escritor; mas, se não fizeres aquela ficha de inglês, nunca lá chegarás”.

Entre nós, as preocupações foram outras. Proclamar a normalidade na abertura do ano, o número das escolas requalificadas, a preparação e o reforço de orçamento para enfrentar a gripe H1N1, o recorde de celeridade na colocação de professores… Como se tudo isso valesse algumas coisa com alunos desmotivados, com projectos faci-litistas, com uma cultura de lazer escolar em vez de trabalho escolar.

Num outro país, pude testemunhar, recentemente, a preocupação da aluna e dos pais. A ausência da escola por três semanas, por justificados motivos familiares, levou a uma combinação de trabalhos entre a jovem e os professores, para que se não atrasasse em relação à turma e pudesse caminharão mesmo nível, quando estivesse de regresso.

Um ano não se ganha com maratonas em vésperas de testes ou de exames, com umas pitadas de “trabalho” entre avalanches de divertimento, com desregramento total de horários de descanso… Nem com distribuição gratuita de tecnologia, que enche os olhos, mas não trabalha sozinha! E pode mesmo tornar-se um subtil instrumento de preguiça mental.

Felizmente, também há quem se distinga do lado de cá! Aquela noite estava animada. Mas os pequenos já sentiam o peso do horário – da escola e do descanso. E, cúmplices com a mãe, afastaram-se no tempo oportuno. Marcaram, ali mesmo e sem reacções minimamente negativas, a diferença! E marcam-na ainda com a utilização criteriosa das tecnologias de ponta que o sistema oferece.