A pergunta, de facto, é pertinente: “E os professores desterrados com a família?”. Ante um despacho para atribuição de subsídio de residência a um quadro superior, o qual, por certo, não ganhará mal, ficamos estupefactos com a esteira de benesses que estas mordomias trazem, à custa do erário público, bem certo, que é como quem diz dos contribuintes portugueses, também desses professores desterrados com as famílias!
Discutem-se os grandes investimentos, esgrimem-se argumentos sobre temas fracturantes, alardeiam-se vantagens e urgência das grandes opções… e a vida quotidiana, a vida árdua e difícil dos cidadãos, passa à margem, ainda por cima enxovalhada por estas descaradas e abissais diferenças de tratamento! E não me digam que é por mérito, porque já temos visto com nitidez a inépcia de muitos bafejados com “missões impossíveis”, cujo objectivo é tão somente encher os bolsos.
“A Humanidade inteira aliena-se quando se entrega a projectos unicamente humanos, a ideologias e a falsas utopias. A Humanidade aparece, hoje, muito mais interactiva do que no passado: esta maior proximidade deve transformar-se em verdadeira comunhão” – são palavras de Bento XVI (CV 53). E são verdadeiramente inspiradoras do rumo que os planos de justiça social devem trilhar.
A Sociedade não é o simples jogo de interesses de pessoas ou grupos sociais. Queiramos ou não, somos uma família de famílias, cada País e a Humanidade. E, por isso, o “desenvolvimento dos povos depende sobretudo do reconhecimento que são uma família, a qual colabora em verdadeira comunhão e é formada por sujeitos que não se limitam a viver uns ao lado dos outros” – continua o Santo Padre.
A democracia desacredita-se com estas “vilanias” de interesses egoístas, que marcam cada vez mais profundas distâncias entre um punhado de favorecidos em toda a linha, a usufruírem de montantes chorudos, e a multidão que carrega com a penúria constante, que tem de fazer apertados cálculos orçamentais, que tem de se privar, muitas vezes, do essencial, assistindo, impotente, à “democrática” decisão de favorecer os apaniguados!
Fala-se muito no direito à indignação. E, se nos indignarmos, seremos, em verdade, respeitados?!… Tenho dúvidas!
