Uma pedrada por semana Foi o último jornal “ O Gaiato”, órgão sempre atento e vivo da Obra da Rua ou do Padre Américo, que, pela elucidativa relação de casos reais, com nome e morada conhecidos, embora omitidos por razões óbvias, me deu a sugestão desta pedrada, que muito desejo seja certeira pela minha pontaria.
Trata-se da transferência de crianças, obrigada pela justiça do país, que seguem de há anos, nesta e noutras instituições sérias e credenciadas, um caminho de aprendizagem regular, que lhes permitiria, como a tantos outros, ser alguém na vida, com escolaridade cumprida e profissão aprendida. Vão muitas vezes para um família que não existe ou que vive sempre e só dos subsídios do Estado. A criança faz falta a estas, porque, aumentando o aglomerado, os subsídios também aumentam. As crianças transplantadas vão, em muitos casos, aprender que melhor é viver dependente de subsídios certos e que vão aumentando ao sabor dos políticos, do que trabalhar, mais ainda se o trabalho rende menos…
Há dias ouvimos, no debate televisivo dos dois grandes candidatos ao poleiro, que o problema não está em dar subsídios sociais, mas em ter uma política social acertada, que estimule, dignifique e abra caminhos novos que perdurem. O nosso povo, de há muito habituado a depender dos subsídios, de que o Estado social faz bandeira e tende a aumentar para manter clientes, percebe melhor essa linguagem, que a da “política social”…
Trabalhar é duro. Ter muito ou o suficiente, sem trabalhar ou fazendo pouco é menos penoso e mais agradável. Quem quer agradar anda veloz e arrasta, a prazo não muito longo, para um caminho que não evita o abismo. Mas educar nunca será iludir ou facilitar.
Quem tanto ridicularizou a “caridadezinha”, opta agora por ela de modo interessado, mudando-lhe apenas o nome e o sentido!… Assim vai o país e o tempo.
