Olho de Lince A voz argentina ecoou, em meio do ruído quase ensurdecedor que fazia vibrar as estruturas físicas daquele salão de actos. O barulho frenético da música misturava-se com o som dos talheres, em início de banquete de casamento.
Surpreendentemente, ergueu-se aquela voz de criança. O silêncio caiu, abrupto, sobre toda a algazarra. E fluíram, como suave perfume, as palavras de oração da pequenina, agradecendo os dons recebidos e implorando a bênção para todos os presentes, a começar pelos noivos.
Eu próprio me senti possuído pelo divino, com a singularidade e serenidade daquela melodia. O espontâneo “amen” em coro e o sinal da cruz feito pela maioria foram a expressão do generalizado assentimento por parte da assembleia.
Corajoso, bonito, edificante!… E, mais uma vez, o protagonismo de uma criança!
Q.S.
