“O passado enriquece, o futuro responsabiliza, o presente constrói”.
Andamos atarefados em busca de um rumo para a Educação, convictos de que o futuro, o desenvolvimento sustentado, a perpetuidade de uma cultura, de uma nação, de uma civilização, passam pelo crivo da Educação.
Ou seja, só ela poderá superar as crises, porque a ela cabe a tarefa de decantar o passado, acolhendo as suas riquezas e incorporando-as de forma nova na construção do presente. A ela incumbe tomar as conquistas progressivas da ciência e enquadrá-las na construção humanista do presente transitório, numa atitude responsável face a um futuro de esperança.
Não poderemos, por isso, deixar que as janelas desse mesmo futuro se abram enviesadas, marcadas por estrábicas convicções de que o sol brilhará automaticamente nas tecnologias de ponta, surgidas “ex abrupto” de uma ciência desumanizada; nem sequer por uma matemática mercantilista, por mais rigorosa que consiga ser.
A prova está à vista! Essa pós-modernidade, feita de tecnologia e de mercado, desagua em instabilidade e conflito permanente de interesses, deixando um rasto de perplexidade, de angústia, de miséria.
Não lidamos com peças de um máquina complexa, que facilmente se volta contra o próprio operador. Lidamos com pessoas, originais e surpreendentes, capazes e falíveis, criativas e manipuláveis…
E daí surge o desafio da Educação: fazer a memória dos indivíduos e das sociedades, perscrutar-lhes a matriz cultural e os seus desenvolvimentos sucessivos, perceber-lhes as capacidades, os sonhos e ansiedades…, para ajudar a emergir a riqueza subjacente, proporcionar a incorporação crítica dos patamares atingidos pelas ciências, propor o saber fazer tecnológico adequado, abrindo, desse modo, horizontes humanos e sociais harmoniosos, que sinalizem o bem como o caminho da felicidade.
Há muita vida, não só para além dos défices dos Estados, mas para além da ciência e da técnica, para além do racionalista e do demonstrável, para além do sensível e do gostoso, para além do programado e do sistemático. A sabedoria, o espiritual, o transcendente, são horizontes que iluminam o saber ser, o único que abrirá a um futuro de felicidade e paz.
