A Acção Católica (AC) vai celebrar, no sábado e domingo, com Jornadas de revisão de vida, os setenta e cinco anos da sua presença e vida em Portugal.
A Igreja do nosso País viveu, cresceu, robusteceu-se, penetrou no cerne da vida familiar, da vida social, da vida cultural, da vida laboral, por este fermento de renovação, de abertura, de capacitação de militância.
Formaram-se líderes, desenvolveram-se competências de intervenção, aprofundou-se a vida espiritual numa dinâmica eminentemente secular. Tudo isto gerou um património humano assinalável, que ainda hoje marca presença, de forma clara, em áreas da vida eclesial e cívica.
As confusões políticas e sociais dos anos sessenta e setenta perturbaram as rotas de muitos dos militantes dos Movimentos. Ouvimos, nos nossos dias, com alguma frequência, esta expressão: “eu sou de formação católica”. E isso quer dizer que militaram em AC. Só que os exageros do radicalismo desviaram os parâmetros da militância.
Muitos procuraram, em estruturas políticas e sindicais, o espaço de respiração e “liberdade” que as estruturas eclesiais pareceram cercear-lhes. Uma outra “estratégia pastoral” poderia ter permitido manter a marca católica no empenho de muitos deles nas causas públicas. Não que o rótulo seja importante. Mas é provável que a fidelidade à AC potenciasse o vigor e a alegria do compromisso.
Certo é que o método formativo e de intervenção da AC não perdeu a validade. Dentro e fora da Igreja muitos o plagiam, porque é único e inesgotável. E, por isso mesmo, a AC permanece actual, única, insubstituível e inesgotável. Apesar da oposição que sofre por parte de muitas pessoas da Igreja, de visão curta e obstinado apego a esquemas facilitistas, apesar da dificuldade de “recrutamento” porque é exigente e persistente o caminho que percorre, continua a singrar. Bem distante – é certo – dos tempos de massas, mas vertebradora de personalidades de têmpera e geradora de fermento de qualidade a impregnar discretamente grupos e comunidades.
Está viva e recomenda-se! A Acção Católica surgiu num tempo próprio, mas tem essência para ser permanente, se inculturar, semear os valores do Evangelho em todas as idades, ambientes e culturas.
