Religiões unidas pela compaixão

Representantes de várias confissões religiosas e não-crentes reuniram-se no domingo, 15, em Lisboa para um encontro sobre a temática da Compaixão, no âmbito da iniciativa internacional Charter for Compassion. Na Mesquita Central de Lisboa estiveram presentes representantes da Comunidade Judaica, Igreja Católica e da Comunidade Islâmica em Portugal, bem como Mário Soares, Presidente da Comissão da Liberdade Religiosa.

O representante católico foi o P.e Peter Stilwell, director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e do Departamento das relações ecuménicas e do diálogo inter-religioso no Patriarcado de Lisboa. Na sua intervenção, este responsável apresentou uma reflexão sobre o conceito da “compaixão”, recordando a palavra “hesed” da tradição bíblica, o “amor das entranhas”, um amor “marcado pela gratuidade, que encontra paralelos e convergências noutras tradições antigas”.

Para o P.e Stilwell, a compaixão manifesta-se como “resposta espontânea à grandeza ou miséria do outro”, um “excesso” que “transborda do coração de qualquer homem ou mulher, independentemente da sua filiação ideológica e religiosa, ou ausência dela, porque a todas antecede”. Hoje, alertou, “a compaixão arrisca-se a ser perdida de vista por entre a multiplicidade de sentimentos e emoções que parecem mais relevantes para a vida quotidiana”.

Carta pela Compaixão

O conceito Charter for Compassion foi lançado, a 27 de Setembro, no Centro Dalai Lama em Vancouver (Canadá), com Karen Amstrong, teóloga, Dalai Lama e outros sete Prémios Nobel.

Esta iniciativa com acções já realizadas em vários países tem como objectivo encorajar cidadãos a contribuir objectiva e efectivamente na sensibilização das sociedades para a compaixão, um sentimento que pouco a pouco tem vindo a ser desvirtuado e até mesmo corrompido.