Episcopado mantém-se firme contra o casamento homossexual

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, admitiu no dia 12 de Novembro, em Fátima, que o “debate alargado” sobre as propostas de legalização dos casamentos homossexuais pode ter como “expressão” um referendo, para evitar o distanciamento entre a sociedade civil e os “órgãos legislativos”.

“Não basta ter um número no programa eleitoral, não basta que em campanha se tenha abordado a questão uma vez ou outra, parece-nos que é fundamental reflectir e que os nossos órgãos saibam legislar, tendo presente aquilo que o povo pensa ou o povo quer”, disse.

Na conferência de imprensa conclusiva da assembleia plenária da CEP, o Arcebispo de Braga assegurou que a hierarquia católica não irá lançar qualquer iniciativa que vise uma consulta referendária, mas assegurou o seu apoio aos movimentos cívicos que, neste momento, o procuram fazer.

“Se o referendo surgir, as pessoas podem contar com o nosso apoio e a nossa orientação”, disse, apontando para o objectivo de “formar consciências”.

D. Jorge Ortiga disse que a Igreja considera que esta é uma questão “estruturante” da sociedade, integrando-a no lote das que não são “referendáveis” quanto à sua verdade fundamental. O mais importante, acrescentou, é que “apareça o diálogo”.

Neste sentido, deixou votos de que “todos, sacerdotes, leigos, perante as novas problemáticas, procurem assimilar o que nos parece uma doutrina clara e ine-quívoca da Igreja, que deveriam respeitar nas suas opções”. As homilias, acrescentou, devem ser “respostas aos problemas que as pessoas estão a viver” e aprovei-tar “todas as ocasiões para ir formando as consciências”.

“Não podemos ficar apenas na sacristia, teremos de descobrir outros caminhos”, declarou.

Numa passagem da conferência, a respeito das questões da educação, o presidente da CEP defendeu que “a sociedade portuguesa é demasiado passiva” ao aceitar “determinadas orientações”, às vezes com “efeitos nefastos”.

O comunicado final da Assembleia Plenária da CEP assume a “pública rejeição” dos Bispos face aos “projectos para legalizar as uniões entre pessoas homossexuais concedendo-lhe o estatuto de casamento”, recusando que “este tipo de uniões possa ser equiparado à família estavelmente formada através do casamento entre um homem e uma mulher”.

“Tal constituiria uma alteração grave das bases antropológicas da família e com ela da própria sociedade. Todo o respeito é devido a todas as pessoas, também às pessoas homossexuais, mas este respeito e compreensão não podem reverter na desestruturação da célula base da sociedade, que é a família baseada no verdadeiro casamento”, defende a CEP.

No final da assembleia foi publicada a Nota Pastoral sobre a eutanásia, “Cuidar da vida até à morte”, um “contributo para a reflexão ética sobre o morrer”. O Correio no Vouga publicará o documento na próxima semana.

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