Migalhas… fazem pão!

A notícia vi-a em qualquer lado. Um dos nossos ministros teria dito que, se fosse necessário, renunciaria a parte do seu salário ou aceitaria a sua diminuição. Creio que não estou equivocado. E suponho que acederia a isso para contribuir para a solução da crise económica e social, que tem dado dores de cabeça a tanta gente.

Bem sei que poderá parecer demagógico apontar essa como a solução dos problemas. Seria, certamente, uma migalha. Mas a verdade é que, se a fome se tornar endémica – e há múltiplos sinais de que isso pode acontecer -, alguma coisa terá de ser feita para que muitas migalhas dessas se tornem o pão dos que nem migalhas têm.

E se, na verdade, baixassem os salários dos políticos? E se as frotas automóveis de topo de gama de milhares de agentes do aparelho de Estado fossem mais modestas e mais duradoiras? E se não houvesse pensões vitalícias – pelo menos tão chorudas – só porque se serviu uns anos (poucos!) em cargos políticos? E se fossem “decentes” as benesses concedidas aos ex-governantes? E se se cobrassem os impostos justos a quem acumula fortunas e passa no rol do fisco com salários insignificantes? E se os corruptos pagassem mesmo as dívidas do que roubaram ao erário público ou aos cidadãos? E se?… E se?… E se?…

Não tenho dúvidas de que a despesa pública baixaria de forma bem visível. Como, seguramente, as migalhas que recebem tantos assalariados e tantos reformados tornar-se-iam pão digno para muitas famílias. Provavelmente muitas pequenas e médias empresas poderiam ter outras linhas de crédito, outro desafogo de vida, e constituir um tecido económico-financeiro consistente, que semeasse esperança e garantisse futuro risonho às pessoas, ao País!

É um gesto. Mas é tão ridículo: daqui a dezoito anos, uma criança nascida hoje poderá ter dois mil e quinhentos euros, na melhor das hipóteses, para iniciar o seu futuro!… Será esse o tecto de poupança para os filhos desses senhores?…

Eu tenho esperança que Deus ouça o clamor deste povo! E que, com mão forte e braço estendido, suscite no coração dos homens e mulheres do nosso País a coragem de não baixar os braços, a força de dar uma lição de justiça e solidariedade a quem escarnece dele deste modo tão descarado!