Será que vale a pena ainda nascer em Portugal?

Uma pedrada por semana Voltamos a ver gente preocupada com o crescimento da população e a querer ressuscitar as teorias fracassadas de Malthus com receio de que, dentro em pouco, o mundo já não tenha lugar onde se possa montar a tenda, nem pão para comer. Então, aos pobres, vítimas destas teorias eruditas, em vez de se lhes proporcionar melhor rendimento de uma natureza rica para todos, ensina-se a não ter filhos. Não vão eles crescer demais e engolir os que os engolem a eles todos os dias.

A Europa evoluída está a desertificar-se. Portugal, sempre ansioso de ombrear com os grandes, quanto a novos nascimentos está abaixo da média europeia. Mais abaixo, só a Alemanha, que tenta recuperar, a todo o custo e com estímulos generosos, das suas fantasias de década de sessenta.

Atingimos “o mínimo histórico”, no dizer dos técnicos. Há quarenta anos fomos conhecidos como um povo com “descendências numerosas”.

200 mil bebés, em 1960. Já não se chega aos 100 mil, em 2009. Entretanto, alheios às causas, os governantes vão propalando incentivos à natalidade. Foi falado o dos 200 euros da conta poupança. Há poucos dias foi a promessa para encorajar os casais jovens a gerar filhos, porque vai haver creches de graça para todos e em toda a parte…

Somos um belo receptáculo de promessas simpáticas.

Promessa de creches para todos já eu a ouvi há anos, de um governo socialista, em aparato festivo, lugar escolhido, discursos eloquentes, promessas concretas, planos gizados, acordos assinados, comunicação social abundante. Eu até estive na cerimónia. Ela dizia-nos respeito. Até fui solicitado para falar. E até falei. E nada se viu.

A pergunta deverá ser agora esta: Ainda vale a pena nascer em Portugal? Só se for para que os casais homossexuais tenham filhos de outros para adoptar, porque eles, por certo, não os vão gerar…

A esquerda, generosa para com os “pobres” e aberta a reivindicações, lá acabará por lhes fazer o jeito, pedindo aos casais que gerem sem medo, porque já há quatro braços iguais, ternos ou musculados, à espera dos filhos deles…