Poço de Jacob – 15 É interessante notar como a Samaritana não conseguiu calar este encontro junto ao Poço de Jacob. Para ela, foi um verdadeiro encontro com Deus e, como tal, um encontro de conversão. Não se pode guardar um encontro sério com Jesus, apesar de haver na nossa vida coisas que, como gostava de dizer a Irmã Lúcia de Fátima, devem guardar-se como “segredos do rei”. Não se tratava de sentimentalismos ou de visões.
Devemos fugir sempre de visionários, pois Deus não se anda a mostrar com tanta facilidade, visto que o Seu modo de actuar, como diz Pascal, é de se esconder sempre que se mostra. O Deus Escondido é um Deus sempre presente.
A Samaritana foi contar, revelando a sua vida, que muitos, porventura, já comentariam. “Ele disse tudo quanto fiz e sou”. E foram ver. A curiosidade da busca, como aconteceu com alguns apóstolos. Falou, pregou, a tempo e a “destempo”, como nos ensina S. Paulo.
O que mais assusta nos que dizem que têm vida espiritual é ouvi-los rezar mas não os vermos comprometidos com a paróquia, com os movimentos e, sobretudo, com a caridade pastoral. Rezar é fácil, útil e agradável, mas a fé só é activa pela caridade. A uma pessoa que rezava muito, de uma comunidade, foi-lhe sugerido o desafio de ajudar gratuitamente o Lar da Paróquia. Custou a entender. Quando entendeu e se lançou na aventura, desabafou assim: “Agora é que me sinto plena. Não sabia que dentro de mim tinha tal força de amor”.
Foi a oração que a comprometeu, mas se não se mexesse para anunciar, a sua oração não seria de Igreja, mas fórmula egoísta de quem quer o Céu para si. Dizia um santo de Barcelona: “Ninguém se salva sozinho”. Entendes isso?
P.e Víctor Espadilha
