Questões Sociais 1. No artigo anterior foram apresentadas três potencialidades, para a luta contra o desemprego, centradas na família. Tais potencialidades são a própria família e, com ela, o trabalho e a educação, formando o triângulo básico de solução.
Um segundo conjunto de potencialidades tem como centro o trabalho, e abrange o trabalho por conta própria, o trabalho por conta de outrem e o trabalho solidário.
2. Na nossa tradição económica, o trabalho por conta própria encontrava-se estreitamente associado ao trabalho por conta de outrem, e ambos se projectavam, em maior ou menor grau, no trabalho solidário e dele recebiam enormes vantagens. O trabalho por conta própria transmitia-se de pais para filhos na agricultura, no artesanato, na indústria, no comércio e noutras actividades.
Muitas pessoas e famílias que não dispunham de meios de produção próprios conseguiram alcançá-los através, não raro, de enorme esforço e até de sacrifício heróico.
A partir de meados do século passado, surgiram mais oportunidades de trabalho por conta de outrem, e acentuou-se o fosso entre os dois tipos de trabalho. Pelo contrário, a crise de desemprego em que estamos (e continuaremos) mergulhados torna imperiosa a sua reunificação. É assim desejável que saibamos retomar, em termos modernos, a unidade do trabalho por conta própria e por conta de outrem. João Paulo II traduziu, claramente, esta orientação ancestral, devidamente actualizada, no nº. 15 da encíclica “Laborem Exercens”. Hoje, como no passado, o trabalhador pode passar de um tipo de trabalho para outro, tal como pode acumular um e outro e trabalhar, em cada um, com o mesmo sentido de responsabilidade. A síntese pessoal dos dois tipos de trabalho parece indispensável.
3. No trabalho solidário, esta síntese acontece com particular naturalidade. Ele realiza-se em organizações sem fins lucrativos e também de maneira informal. Desenvolve potencialidades humanas, resolve problemas diversos, cria postos de trabalho e apoia inúmeras pessoas na solução dos seus problemas de emprego.
Cada trabalhador por conta própria ou de outrem que se dedique ao trabalho solidário, segundo as suas possibilidades, não só apoia outras pessoas mas também alarga os seus próprios horizontes, desenvolve as suas capacidades e poderá preservar melhor o seu ânimo positivo nos momentos de maior contrariedade.
