Qual a diferença entre catequese e aulas de religião e moral? (2ª parte)

O leitor pergunta O Secretariado Diocesano do Ensino Religioso nas Escola (SDERE) elaborou textos e esquemas que mostram a diferença e complementaridade da Catequese e das aulas de Educação Moral e Religiosa Católica. O SDERE complementa o esquema com as seguintes informações lapidares:

· A família tem um papel insubstituível no despertar da fé;

· A catequese é o primeiro apoio da Igreja aos pais;

· Há necessidade de participar nas aulas de EMRC para uma maior e melhor relação fé-cultura.

Ou seja, a educação da fé passa por este triângulo: Família – Catequese(Igreja) – EMRC(Escola). É uma espécie de banco de três pernas. Se uma falta, o banco não se equilibra.

Não podemos interpretar a intenção de quem põe a pergunta que motiva este texto. Mas, noutros casos, temos reparado que a pergunta é colocada com o objectivo de dizer que “já ando na catequese, por isso não preciso de ir à ‘religião e moral’”, ou então, na boca dos pais: “ele já vai à catequese…” Pressupõe-se que, de facto, a catequese é imprescindível (talvez por causa do Crisma a marcar o final de um percurso…), mas não a ERMC. A este propósito lembro-me das palavras do Pe Arménio Costa, director do Centro Universitário Fé e Cultura até 1997, que falava a jovens universitários: “Muitos crescem em cultura até serem doutores, mas na fé ficam pela quarta classe”. Ou seja, muitos adultos têm um grave desfasamento entre aquilo que sabem (que evolui até à adultez) e aquilo em que acreditam (que ficou pela infância). A disciplina de EMRC é o lugar específico para esse diálogo de saberes; é onde a fé pode crescer com a cultura. (Nessa linha, claro, podemos dizer que o CUFC é uma espécie de ERMC para universitários).

Para terminar, vale a pena recordar as palavras proferidas no Dia de ERMC (8 de Abril, no Colégio de Calvão) por Ana Catarina, 15 anos, da Escola Secundária de Albergaria-a-Velha: “A EMRC é como um oásis num deserto árido, onde há tempo para nos conhecermos uns aos outros, para fomentarmos a amizade, para podermos reflectir sobre os acontecimentos do mundo, para dialogar e aprender a ser mais pessoa, para aprender a viver, fazendo caminho com Jesus Cristo”.

J.P.F.