“O Escutismo está mais vivido a nível regional”

Norberto Correia, Chefe Regional do Corpo Nacional de Escutas, em fins de funções No próximo domingo, 10 de Julho, os escuteiros da Região de Aveiro elegem o novo Chefe Regional. Norberto Correia não se recandidata, por entender que “é necessário promover a substituição e apoiar os que nos substituem”. O ainda Chefe Regional concorda com a delimitação de mandatos – tema que está em discussão nos órgãos centrais Corpo Nacional de Escutas (CNE). Ao Correio do Vouga, Norberto Correia fez um balanço destes nove anos a liderar uma região com 3200 escuteiros.

Que balanço faz destes nove anos?

Quando assumi a chefia, a Região já estava num dinamismo de crescimento e reorganização. Vinha de uma época conturbada e havia necessidade de consolidar o escutismo na Região.

Conturbada porquê?

Tinha havido problemas com agrupamentos e com a própria Junta Regional, que chegou a demitir-se. Depois, o Chefe Manuel Gamboa e o Pe Manuel Joaquim Rocha agarraram na Junta Regional e entrou-se num período de pacificação e de organização mais profunda da Região. Nessa altura, houve também uma revisão de estatutos do CNE e isso ajudou a clarificar o movimento. O trabalho de dinamização da Região tinha arrancado e eu fui continuar esse projecto.

O que destaca nesta quase década?

Destaco especialmente a preocupação com a formação dos dirigentes, a começar logo pelo recrutamento e selecção. Tivemos essa preocupação, trabalhando junto dos agrupamentos, apoiando o chefe do agrupamento, que é o primeiro formador. Pode não ser o mais importante, mas é o primeiro. Para além do sistema de formação que o CNE disponibiliza aos candidatos a dirigentes [CIP – Curso de Iniciação Pedagógica], criámos ainda um “filtro” inicial. Nós chamámos a isso “Pré-CIP” e agora “Fórum de Valores”. Trata-se de uma tarde em que nos juntamos para discutir o que são os valores do CNE. Expomos aos candidatos a dirigente os valores do CNE e con-rontamo-los com os que eles próprios defendem, a fim de verificarem se têm perfil ou comungam dos mesmo valores.

E o “filtro” funciona? Há desistência de candidatos?

Alguns são convidados a desistir. Outros desistem, quando vêm que não têm uma situação regular perante a Igreja. É uma percentagem pequena, mas o confronto de valores fá-los pensar. Na Região de Aveiro, há 540 dirigentes.

Baden-Pawell disse que o escuteiro devia deixar o mundo um pouco melhor… O escutismo em Aveiro está melhor depois da passagem de Norberto Correia?

Ninguém é bom juiz em causa própria, mas julgo que há argumentos suficientes para concluir que sim. A formação de dirigentes foi muito intensificada. Somos a região do país que tem menos escuteiros por dirigente. Temos a “rácio” mais favorável: 4,68 escuteiros por dirigente. A nível nacional, a média anda pelos 7. É indicativo de que conseguimos captar as boas vontades dos adultos. Podemos entrar numa fase de expansão. Julgo que o escutismo está mais vivido a nível regional.

Destaca algum acontecimento deste período?

Em 1996, fomos a Estação Nacional do “Jamboree no Ar”, que funcionou nas instalações que eram da Assembleia Municipal [agora, Casa da Cultura]. Mobilizou muita gente. Houve emissões de televisão entre agrupamentos e fizemos uma “ponte-himalaia” no Canal Central, que deu muito nas vistas. Outros pontos altos foram os acampamentos regionais de Estarreja, em 1999 (com 1400 participantes), e de Sever do Vouga, em 2004 (com 2000 escuteiros). Enquanto outras regiões têm uma participação de 20 por cento dos seus efectivos, tivemos uma participação superior a 60 por cento – o que é óptimo. Os acampamentos são bons para testar e incentivar o escutismo regional. São motivos catalizadores de todas as actividades antes e pós-acampamento.

Neste últimos anos criaram-se sete agrupamentos. A chegada do escutismo a Sever do Vouga, com o Agrupamento de Rocas, foi um ponto importante…

Sim. É o primeiro agrupamento no conselho e arciprestado de Sever do Vouga.

Há agrupamentos em formação?

Há o de Nossa Senhora de Fátima e, um pouco mais atrasados, os de Oliveirinha e Pessegueiro do Vouga. Há ainda os de Fonte de Angeão e Salreu para reactivar. E fala-se no da Vera Cruz. Há mais indícios, mas, para já, são estes que estão na calha.

E quais foram os aspectos menos positivos destes anos?

A pouca participação de alguns agrupamentos em actividades conjuntas. Apesar de participações elevadas, há agrupamentos que têm relutância em aparecer nas actividades regionais – Acampamento Regional, Dia de S. Jorge (por volta de 23 de Abril), Dia do Dirigente (por volta de 22 de Fevereiro).

Como está a questão da Sede Regional?

Temos um terreno que foi cedido por escritura pública, em 2004, pela Câmara Municipal de Aveiro, no Jardim Central de Santiago. Havia um projecto e já foi lançada a primeira pedra; mas, devido a dificuldades técnicas, estamos a reelaborar o projecto para ser mais moderno, mais funcional e mais barato. Foi-nos proposto que aproveitássemos a estrutura existente, mas isso trouxe muitos constrangimentos arquitectónicos. O resultado era impraticável em termos de custos e de funcionalidade. De acordo com a Câmara e o arquitecto, está a ser feito um novo projecto.

Não há previsão de início das obras…

Depende muito dos meios de financiamento. Se optarmos por um concurso ao Pidac, temos de esperar pela aprovação. Se optarmos por fontes diversificadas, podemos começar logo que esteja pronto o projecto, dentro de um mês.

É uma decisão da nova Junta…

Sim. Mas há uma equipa da sede para acompanhar e desenvolver o projecto. De acordo com a lista única que concorre às eleições, eu continuarei a liderar essa equipa.

Já manifestou o desejo de colaborar com a nova Junta. O que gostava de fazer?

Em primeiro lugar, continuar e acabar o projecto da Sede. Depois, gostava de apoiar a formação de novos agrupamentos. É uma missão específica e absorvente e distrai a Junta Regional da sua missão fundamental: garantir a aplicação do método escutista nos agrupamentos e preparar dirigentes a todos os níveis. Por outro lado, já fui convidado – e aceitei – ser o tesoureiro do próximo Acampamento Nacional.

Onde e quando vai ser?

Em princípio, será em Idanha-a-Nova, em 2007, quando o escutismo mundial faz 100 anos, num terreno que foi cedido ao CNE por 50 anos.

Já fez a boa acção de hoje?

Acho que sim. Quando um escuteiro faz a promessa, gosto de lembrar esse compromisso que assumimos: que seja uma boa acção consciente. Dizer “acho que sim” pode dar a entender que, afinal, não sei muito bem se a pratiquei. Mas pratiquei. E foi pensada.

Perfil

Norberto Correia, 51 anos, casado e com dois filhos, gestor e técnico de contas, fez a promessa de escuteiro no dia 8 de Dezembro de 1967. Frequentava então o Seminário de Aveiro. Foi Chefe Regional Adjunto durante três anos e Chefe Regional de 1996 até à actualidade.

Manuel Santos chefiará a nova Junta

Manuel de Oliveira Santos, 47 anos, casado e com quatro filhos, empresário, Chefe do Agrupamento de Santa Joana e actual Chefe Regional Adjunto, encabeça a lista única que concorre às eleições de 10 de Julho. Cordial e pragmático, propõe, no Manifesto Eleitoral, “apoio e diálogo amigo com os agrupamentos, espaços prioritários para a vivência escutista”. “Queremos ser o Guia amigo que procura solucionar os problemas que afligem todos os que fomentam o Escutismo nas suas comunidades” – lê-se no Manifesto enviado aos eleitores (caminheiros e dirigentes).

Do plano de acção consta a preocupação com a formação de dirigentes, e o apoio às áreas pedagógicas (Bairrada, Norte, Sul e Nascente) e à burocracia própria do escutismo (com ferramentas de trabalho como grelhas, mapas, arquivos, forma de organizar as contas, etc.). A nova Junta promete “construir, no mais curto espaço de tempo”, a Sede Regional, “infra-estrutura fundamental para o desenvolvimento de acções de formação e de apoio aos agrupamentos”.

Da equipa de Manuel Santos fazem parte: Tony de Jesus (Tro-viscal), Maria Teresa Gangreia (Troviscal), Maria de Fátima Marques (Aradas), Mafalda Frade (Vagos), Alberto Costa (Trofa/Segadães), Carlos Alberto Cruz (Esgueira) e Miguel Oliveira (Sangalhos). O Conselho Fiscal será presidido por Victor Neto (Santa Catarina) e conta com Alfredo Mendes (Estarreja) e Luz Maria Gomes (Estarreja).