Ponta de Lança Num país como o nosso, ao sul de tudo, até custa falar em férias. Afinal durante quase trezentos e sessenta e cinco dias ou mais (em analogia com uma anedota conhecida) estamos praticamente de férias.
Ninguém poderá falar de trabalho num espaço territorial como este que não tendo ouro nem petróleo dá-se ao luxo de ter uma falta de produção incrível, em que a despesa pública é praticamente metade do que se produz, com uma Câmara de deputados comparável aos países que populacional e territorialmente estão nos antípodas, com organismos locais a empatarem as decisões e o trabalho dos subsequentes, com governos que caem ao ritmo dos cocos em ilhas paradisíacas, com autarcas a tentar gerir o melhor que sabem (às vezes pouco) e podem (pouco também) a trilogia da precariedade (votos, serviço às populações versus gastos, obediência à lei e serviços centrais versus parcos recursos).
Depois há ainda as, já revisitadas por nós, eternas filas e burocracias para tudo, que fazem com que meio país, supostamente produtivo, esteja numa fila qualquer à espera de receber informações, indicações ou ordens para ir… para outra fila!
Qualquer decisão mais corajosa para pôr em marcha esta casca de noz chamado Portugal tem imediatamente três balázios a criar um rombo do seu próprio tamanho: a vida devassada, a anarca opinião dos incautos e milhentas formas de fugir ou contornar as decisões.
Finalmente temos a inoperância que o sol provoca!
A terminar, reconforta-nos saber que neste minuto gasto a ler estas linhas, pelo vencimento usufruído, não trouxe grande mal ao mundo. Foram só umas milésimas de cêntimo!
Bom trabalho, caro leitor! Vamos de férias!
Desportivamente… pelo desporto!
