Caíram as primeiras chuvas… mas será que acabou a seca?

Para que o estado de seca acabe no Norte e em parte do Centro do país, a precipitação de Setembro terá de ser superior à normal, com valores que só são atingidos em 20 por cento dos anos (ou seja, um quinto dos anos). Este é o terceiro cenário, o mais optimista, apresentado no Relatório de finais de Agosto da Comissão para a Seca 2005 (organismo que reúne o Instituo da Água, o Instituto de Meteorologia e a Confederação dos Agricultores, entre outras entidades).

Ora, segundo o Centro Europeu de Previsão do Tempo – pode ler-se no mesmo relatório –, “a médio prazo, para o trimestre de Setembro, Outubro e Novembro de 2005, a temperatura média apresenta tendência para ser superior ao normal e a precipitação total apresenta tendência para ser inferior ao normal”. Ou seja, se a previsão estiver correcta (embora o grau de certeza só seja significativo para previsões até dez dias), os outros dois cenários, que falam de precipitação abaixo do normal (cenário 1) e de precipitação dentro dos valores normais (cenários 2), acabam por ser os mais prováveis. Por outras palavras, a seca continua, porque, ainda que à superfície os terrenos estejam molhados após as primeiras chuvas, a quantidade de água foi insuficiente para alterar significativamente os níveis freáticos e das barragens.

“Para a seca acabar nas regiões do Norte até final de Setembro – diz o Relatório –, seria necessário que os valores da quantidade de precipitação fossem superiores ao valor normal, com valores que só são atingidos em 10 por cento dos anos” (1 em cada 10 anos). E se no Norte e Centro/Norte do país “o pior parece ter passado”, ainda que os dados oficiais refiram que apenas se desceu do nível de “Seca Extrema” para o de “Seca Severa”, quanto ao Sul a situação grave parece estar para durar: “Em Beja, a seca só acabaria no final de Setembro se o total mensal da precipitação fosse de 118 milímetros (valor mais elevado desde 1991, ocorrido em 1999). (…) Em Faro, a seca só acabaria no final de Setembro se o total de precipitação fosse de 99 mm (2º valor mais elevado desde 1965, ocorrido em 2002)”.

Populações abastecidas por autotanques

A falta de água faz-se sentir principalmente na agricultura do Centro/Sul do país. Mas também há populações afectadas. Em finais de Agosto, 71 mil habitantes estavam a ser abastecidos por autotanques. No distrito de Aveiro, havia reservatórios a serem abastecidos por autotanques dos bombeiros ou do município em Serém (Águeda), Pego (Mealhada) e Pessegueiro do Vouga (Sever do Vouga). Mais 53 municípios tiveram de recorrer à mesma estratégia (alguns fazem-no mesmo em anos normais) para que a água não faltasse às populações.