Colaboração dos Leitores A Imprensa, a Rádio e a TV têm noticiado que, nos países libertos da tirania marxista, ou onde ela está em vias de extinção, a revitalização da fé católica, que durante tantos anos foi perseguida e silenciada, é um facto tão evidente e generalizado que nem os materialistas deixam de se mostrar surpreendidos e preocupados.
Julgavam os carrascos do espírito que a pretensa infalibilidade das teorias e utopias de seus ídolos, tais como Engels, Marx e Lénine, eram dados adquiridos, mas todos podem ver qual a consistência daquelas fantasiosas pretensões.
A verdade é que, no chão assolado pelas hordas da nova geração de humanos e mongóis, irrompeu bem viva a fé religiosa que as populações escravizadas haviam conservado em seus corações e por cuja extinção os deicidas consumiram muitos esforços, ocasionaram sofrimentos e fizeram mártires em escala nunca antes vista na História da humanidade.
É raro haver entre os cristãos ocasião ou tempo para uma conversa sobre a religião ou para salutar reflexão sobre os fundamentos da sua fé e sobre as implicações do compromisso moral tomado por quem tenha aderido a Jesus Cristo e veja n’Ele o seu Salvador e Redentor.
Até parece haver um acordo tácito para conservar ausente ou mesmo alapar a dimensão religiosa do homem, como se ela não fosse uma realidade; muitas vezes nota-se uma grande reserva ou faz-se um silêncio calculado, sempre que se propor-ciona a abordagem de assuntos relacionados com a fé.
Penso que esse alheamento é devido quase sempre à ignorância religiosa, ao receio de incorrer em disparates sobre matéria pouco conhecida ou em que se está mal seguro. Mas a verdade é que se usa de muita desenvoltura e ousadia, quando se trata de comentar ou ajuizar as acções da Igreja ou dos seus elementos mais representativos ou responsáveis, especialmente quando eles contrariam ou não favorecem atitudes e pretensões moldadas à feição e ao gosto de cada um.
É evidente que não me refiro aos encontros, simpósios, reuniões, congressos e outras acções comunitárias, onde geralmente se empenham apenas aqueles poucos cristãos que procuram viver com seriedade o compromisso assumido para com Jesus Cristo.
Fora disso, quando durante uma conversa acontece surgir qualquer referência de cariz religioso, é frequente ouvir logo um dos presentes afirmar com aparente segurança: “Eu cá tenho a minha fé!”
Tais cristãos procedem como se professassem uma fé diferente da que foi confiada à guarda da Igreja; como se ela não fosse um dom para partilhar e comunicar alegremente com seus semelhantes.
Como dom gratuito de Deus, a fé cresce na medida da nossa adesão a Jesus Cristo, seu Filho, que tomou a condição humana para nos revelar o amor do Pai e para com Ele reconciliar a natureza humana decaída. Como Pai amoroso, Deus busca-nos ou chama-nos de mil modos, convidando-nos a partilhar a sua felicidade e vida divinas. Revigoremos pois a nossa fé e sejamos cristãos adultos!
Carlos da Costa Campos e Oliveira
