Os números do nosso descontentamento

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É o lugar ocupado por Portugal no ranking do relatório do Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O ranking mede os progressos de cada país em parâmetros como a esperança de vida à nascença, a taxa de alfabetização de adultos, a escolarização e o Produto Interno Bruto por pessoa. Em 2003, Portugal ocupava a 23ª posição, sendo entretanto ultrapassado por países como a Eslovénia. O ranking é liderado pela Noruega, seguindo-se a Islândia, a Austrália, o Luxemburgo.

2

Dois por cento da riqueza do país é quanto consomem os 10% mais pobres. Enquanto os 10% mais ricos de Portugal consomem 29,8 %. Os dados vêm no relatório do PNUD e significam que Portugal é o país europeu com maior fosso entre os ricos e os pobres. Em Espanha os 10% mais pobres têm direito a 2,8% da riqueza. Os 10% mais ricos consomem 25,2%. Na Suécia e na Finlândia, os mais pobres têm direito a 4% da riqueza. O nível de desigualdade português é semelhante ao dos EUA, em que os 10 por cento mais ricos consomem uma riqueza 15 vezes superior à dos 10% mais pobres. A média dos países europeus anda pelas 6 ou 7 vezes.

8,2

No conjunto dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico – conjunto dos países desenvolvidos), os portugueses entre os 25 e os 34 anos foram os que menos tempo passaram na escola: 8,2 anos. A média da ODCE é 12 anos. Mesmo em países como o México e a Turquia a média é superior à portuguesa. Os dados vêm no relatório “Education at a Glance”, da OCDE, que refere ainda que, por outro lado, Portugal é dos que mais investe no ensino não-superior. Nos últimos sete anos, o investimento cresceu 70%. No entanto, diz o relatório, os resultados estão abaixo do esperado. Com menos dinheiro investido, os alunos da Coreia do Sul ocupam os primeiros lugares a Matemática nos testes internacionais do PISA (estudo que mede as competências dos alunos de 15 anos). Portugal costuma ficar em último lugar entre os 26 países do PISA.

41

Número de empresas que fecharam desde o início do ano em Portugal. O número de desempregados ultrapassou em Julho os 460 mil. Segundo o IEFP, e ao contrário do que dão a entender as notícias, que referem mais o fecho das empresas do sector têxtil, a indústria do couro foi a mais afectada, com 1617 novos desempregados.

42

Portugal é o 42º melhor país para fazer negócios, numa lista de 155 países, liderada pela Nova Zelândia, segundo revelou o Banco Mundial. Para esta má posição (países do Leste, recém-aderentes à União Europeia, estão mais bem classificados) muito contribui o item “contratar/despedir trabalhadores”, em que Portugal aparece em 145º. Ou seja, Portugal está entre os 11 países analisados em que as leis laborais são mais rígidas. Isto é mau para os empresários (têm dificuldade em contratar e despedir); bom para os trabalhadores (sentem o seu emprego seguro); e mau para os desempregados (custa mais encontrar emprego).

20

Com base em dados de 2001, o “Social Watch 2005”, organização não governamental que em Portugal é representada pela Oikos, mostra que 20% da população portuguesa tem um rendimento disponível abaixo de 60% da média nacional. Ou seja, um em cada cinco portugueses é pobre ou corre risco de pobreza.