Crise demográfica chega à Universidade

Abertura do Ano Académico Este ano, entraram nos cursos universitários da Universidade de Aveiro (UA) 1130 novos alunos, preenchendo 81% das vagas. Nas escolas politécnicas da UA, foram colocados 321 alunos, ocupando 56% das vagas. Já o Instituto Superior de Contabilidade e Administração e os cursos de engenharia da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda receberam somente 25 alunos. Os números foram avançados na quarta-feira pela Reitora da UA, Maria Helena Nazaré, na sessão de abertura do ano académico. “O actual sistema de Ensino Superior é aquele que foi necessário para a democratização do acesso num altura de expansão. Serviu esse propósito, mas a situação mudou e, em tempo de regressão demográfica, há que reequacionar o problema”, disse Helena Nazaré, antes da lição inaugural proferida por Pedro Lourtie, da Universidade Técnica de Lisboa, significativamente intitulada “A aprendizagem ao Longo da Vida e a Universidade”.

Segundo a Reitora, perante condições que obrigam a uma mudança de oferta, “quer a Universidade, entendida de forma abrangente [isto é, com as escolas politécnicas], abrir-se a novos públicos”. Um primeiro passo é dado este ano com o “Programa de Formação Contínua em Matemática para professoras do 1º Ciclo de Ensino Básico”. Além disso, “seria interessante o aparecimento de iniciativas análogas noutras áreas das Ciências”, adianta a Reitora.

Por outro lado, estão em estudo “programas pós-secundários vocacionais”, para alunos com o 12º ano do regime geral que pretendam obter habilitação profissional de nível III. Mas não chega. Helena Nazaré considera necessário ir mais longe: dar formação a pessoas que tenham “competências adquiridas de forma não formal”, ou seja, fora dos bancos da escola. Para isso, primeiro, há que ultrapassar o obstáculo da “inexistência de mecanismos de reconhecimento” dessas competências; depois, também a Universidade tem que aprender. “Requer-se o desenho de percursos formativos diversos, à medida, o que não tem sido apanágio das Universidades. Urge alterar esta situação. A este propósito, muito temos que aprender”, afirmou Helena Nazaré.

Na sua intervenção, Rosa Nogueira, presidente da Associação Académica da UA, prometeu pelo alunos “o esforço diário de contribuir para o crescimento da universidade” e criticou a “desresponsabilização contínua e crescente por parte da tutela”. A sessão terminou com a habitual entrega de prémios aos melhores alunos.