Olho de Lince Era dia de festa. Os convidados chegavam uns após outros para o almoço. De tantos que eram, quase se almoçava por turnos. A amabilidade de quem convida traz, muitas vezes, a surpresa destas pequenas multidões… e, para além dos encargos inerentes, o redobrado trabalho de quem acolhe.
O motivo deste apontamento, porém, é outro. É que a pequena da casa, nos seus verdinhos dez anos, apresentava-se como uma verdadeira mulher, compenetrada das responsabilidade de quem recebe amavelmente as visitas.
Nestas circunstâncias, os mais novos querem é exibir as suas roupas novas ou os seus adereços. Ao contrário, esta garota vestia o seu avental e desdobrava-se em generosidade no serviço. Já o fizera na preparação das iguarias: ajudar a mãe fora a sua preocupação. E agora, desinibida, continuava a sua tarefa.
Para os zelosos defensores dos direitos da criança, estaríamos em flagrante situação de “trabalho infantil”. Ninguém dos presentes o notou, tal a dedicação com que a pequena se esmerava na sua cooperação. Afinal, isso sim, parecia que estávamos numa belíssima escola de amor ao trabalho e, sobretudo, de profunda consciência de solidariedade familiar. Às vezes, os adultos só complicam!
Q.S.
