Jorge Sampaio em defesa da educação

Oliveira do Bairro – Visita presidencial O presidente da República, Jorge Sampaio, visitou o concelho de Oliveira do Bairro no último dia do mandato de Acílio Gala, périplo que incluiu as inaugurações da Escola Básica Integrada de Oiã, do Pólo de Leitura da Biblioteca Municipal e do Museu de Etnomúsica da Bairrada, ambas em Troviscal, e do monumento ao Universalismo Português, junto aos Paços do Concelho, em Oliveira do Bairro

Como um grande defensor do municipalismo, Jorge Sampaio pretende visitar, até ao final do seu segundo mandato, todos os 308 municípios portugueses, já que, afirmou, “sempre me pareceu espantoso que ainda hoje, trinta anos após o 25 de Abril, haja municípios onde nunca foi um presidente da república”, até porque “sou um fervoroso adepto da descentralização, um fervoroso adepto dos contributos altamente positivos que o poder local tem dado”.

Dirigindo-se a Acílio Gala, Jorge Sampaio sublinhou que “dedicar a educação e a cultura à visita do presidente no último dia do seu mandato fica-lhe muito bem”, porque “a educação não é uma causa apenas das famílias ou, sobretudo, dos professores, ou das câmaras, ou dos ministérios, ou dos políticos, ou da Assembleia da República ou até do Presidente da República. Não, a causa da educação em Portugal é incontornavelmente uma causa de todos”.

Reconhecendo que os índices internacionais não são muito abonatórios para a educação em Portugal, o Presidente da República considera natural que “esta batalha que é de todos tenha que ser também, e sobretudo, uma batalha assumida por todos os cidadãos portugueses contra o insucesso escolar”. Apesar das profundas alterações verificadas, nesse sector, nos últimos trinta anos, realça que “a batalha crucial de Portugal nos próximos anos é a batalha contra o insucesso escolar e pela qualificação dos portugueses”.

“Sindicatos, empresários, famílias, produtores, escolas, etc. têm de responder presente à chamada do desenvolvimento em Portugal”, afirmou Jorge Sampaio, lembrando que “ninguém pode ficar de fora”.

Aludindo ao universalismo português, o presidente referiu que “gostamos imenso deste esforço dos tiros nos pés, e nem percebemos que há uma outra visão do diagnóstico que é positiva, a visão das nossas comunidades inseridas nos mais diversos países. Eu nunca ouvi dizer mal dos nossos emigrantes”.

Na alocução que proferiu sobre o universalismo português, Adriano Moreira afirmou que “a humildade de escutar as mensagens dos que ao longo dos tempos procuraram contribuir para enriquecer o património de experiência que nos foi legado, vai de par com orgulho de estarmos entre os herdeiros. Porque, se ninguém escolhe o povo em que lhe acontece nascer, a decisão de ficar é um acto de liberdade e de amor pelo passado, um acto de partilha da responsabilidade pelo presente, um acto de confiança na construção do futuro”.

Para este professor universitário, e antigo ministro e dirigente partidário, o futuro “aponta para assumir a dimensão da comunidade portuguesa muito para além das fronteiras geográficas que evolucionaram para apontamentos administrativos, muito para além das fronteiras económicas e políticas que se confundem com as europeias, muito para além da fronteira de segurança que é a da aliança, mas abrangente das comunidades de portugueses, descendentes de portugueses, e filiados na cultura portuguesa, espalhadas pelas sete partidas do mundo, mas não esquecidas das raízes, das origens, nem indiferentes ao futuro”.

D. Ximenes Belo e o universalismo português

D. Ximenes Belo, bispo resignatário de Dili (Timor Leste) e Prémio Nobel da Paz, sublinhou ao “Correio do Vouga” que o “universalismo português” significa “os valores que os portugueses levaram para todo o mundo, para unir na mesma tradição, na língua, na cultura e na religião, povos de diversas culturas e de diversas raças, de todos os continentes. Isso é o que significa o universalismo português”.

Para este bispo, que benzeu o monumento na presença do Presidente da República, Jorge Sampaio, o universalismo português “é um valor a manter e a transmitir às gerações vindouras”.

D. Ximenes Belo considera que esses valores também são uma referência, e um legado que deve ser mantido em Timor Leste.