Lagoa Henriques explica projecto

Monumento ao universalismo português O monumento ao universalismo português foi concebido pelo escultor Lagoa Henriques.

O autor do monumento disse ao “Correio do Vouga”, conceber este monumento ao universalismo português “é um desafio que eu tomei no sentido de responsabilidade perante uma aventura singular de como um país com uma geografia tão pequena foi capaz de descobrir o mundo de uma forma notável, simultaneamente de investigação, de exaltação de valores humanos e de participação, para que todos sentissem que estavam integrados na mesma condição humana”.

A intervenção do escultor nesta obra firmou-se, como o próprio revela, “no encontro entre a ciência, a história e a poesia, porque acredito que a poesia é prioritária e fundamental para reconquistar o equilíbrio e a harmonia do mundo, para concertar aquilo a que Camões chamava o desconcerto do mundo”.

O universalismo português é, no dizer deste mestre escultor, “alma simbólica enraizada na própria história”. O autor da obra interroga-se “até que ponto a primeira dinastia construiu o movimento das descobertas e até que ponto D. Manuel, que está celebrado no monumento, o imortalizou com a construção dos Jerónimos e da Torre de Belém, e sobre o sentido cultural com que distinguem múltiplas figuras de historiadores, de cronistas, de poetas, essa notícia da glória e da descoberta dos portugueses”.

Sobre as inúmeras citações inscritas no monumento, Lagoa Henriques realça que “não vamos citar todos os poetas; Camões tem um relevo especial, porque viveu essa aventura, fez viagens, naufragou, salvou o seu poema; mas neste historial começamos com o próprio D. Dinis, que foi tão bem celebrado e interpretado por Fernando Pessoa, os mais diversos, como Miguel Torga, Sofia de Mello Breyner, Cesário Verde, todos esses poetas foram realmente fundamentais para dar a notícia desta realidade que nunca poderá ser esquecida. Eu limitei-me apenas a corporizar esse sentido, construindo uma estrutura em que as artes plásticas visuais da escultura se aliam à literatura, à ciência, à geografia e ao universos que todos vivemos”.

O monumento apresenta citações de Adriano Moreira, Afonso Lopes Vieira, Agostinho da Silva, António Nobre, Fernando Pessoa, Gilberto Freyre, Hernâni Cidade, Leonardo Coimbra, Luís de Camões, Miguel Torga, Noémia de Sousa, Padre António Vieira, Pedro Nunes, Sophia de Mello Breyner, Teixeira de Pascoaes e Xanana Gusmão.

Lagoa Henriques teve como colaboradores Mário de Carvalho, Miguel Faria (consultor histórico), Alípio Pinto (escultor) e Lima Ramos (engenheiro), para além de uma empresa em cada um dos seguintes sectores: construção civil, objectos metálicos, cantaria e espaços envolventes.

C. F.