A marcha dos pinguins (imperadores)

Ponta de Lança Acaba de chegar às salas de cinema portuguesas o filme que, no texto promocional, é descrito como “um documentário que retrata os catorze meses que o realizador (Luc Jacquet) e a sua equipa passaram na Antártida a seguir os pinguins imperadores na migração anual para o seu tradicional território de reprodução, única no mundo, misturando amor, drama, coragem e aventura, no coração da região mais isolada e inóspita do mundo.

Um equilíbrio perfeito entre o factual e o emocional, onde podemos assistir que mesmo no lugar mais inóspito da terra o amor encontra o seu caminho.

Uma lição de vida para crianças, pais, educadores e público em geral.”

O facto, só por si, revela sensibilidade e provoca expectativa com alguma dose propagandística que compete ao leitor ajuizar. Aqui interessa-nos sobretudo emergir alguns paralelismos surpreendentes.

Uma das vertentes pedagógicas do filme está presente na luta, no esforço pela vida, pela continuidade da espécie. Todas as dificuldades são enfrentadas para serem vencidas, para que a vida vença! Interessante para os humanos!

Outro aspecto revela a persistência, quase predestinação, com que aparenta ser encarado o objectivo da marcha: não desistir, não abortar a missão! Resistir.

Como é interessante a marcha dos recém eleitos para muitas assembleias municipais?! Foram eleitos mas como não ficaram em primeiro… já marcharam!

A mancha negra dos pinguins adensa a melancólica crise que teima em agudizar tudo e todos, desde Lisboa a Paris!

Inevitavelmente no plano desportivo, vemos a marcha dos “condenados” (árbitros), os homens de negro, que são arrasados por todo o lado pelos erros que grassam no futebol português?!

O que torna o filme tão belo, tão denso, tão cheio? É que os pinguins, elegantemente vestidos (só aqueles fatos… de “pinguim”!?) de negro, não se deixam dominar pelo negro da sua “roupagem”. Levantam o olhar à sua volta, vêm tudo claro, muito claro; branco, até! E seguem em frente!

Desportivamente… pelo desporto!