À Luz da Palavra Neste último domingo do ano litúrgico, celebramos a Solenidade de Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo. As leituras falam-nos do Reino de Deus, onde Jesus é verdadeiramente Rei, não no sentido temporal, nem à maneira dos reis deste mundo; mas a sua realeza efectiva-se pelo seu serviço à humanidade, entregando-se até à morte e morte de cruz, e pela sua ressurreição e elevação à direita do Pai. Ele é o Senhor de todo o Universo. A sua realeza caracteriza-se por uma entrega dedicada aos que lhe foram confiados pelo Pai, sob a designação de Pastor. O reino deste Rei apresenta-se como uma realidade que Jesus semeou, que os seus discípulos são chamados a edificar na história, pela via do amor, e que terá o seu tempo definitivo no mundo que há-de vir.
A primeira leitura utiliza a alegoria do pastor e das ovelhas perdidas e encontradas, famintas e saciadas, doentes e cuidadosamente tratadas, devido à solicitude do bom pastor, que simboliza Deus nas suas relações com as pessoas. A alegoria sublinha, por um lado, a autoridade de Deus e o seu papel na condução do seu Povo pelos caminhos da história, e, por outro lado, sublinha a preocupação, o carinho, o cuidado, o amor de Deus pelo seu Povo. No A.T., esta acção de pastoreio do povo era atribuída ao Pai, acção que é cantada no Salmo 23 (22); e, no N.T., é o próprio Jesus que se designa Bom Pastor, continuando no tempo e no espaço da Palestina a obra de seu Pai.
O Evangelho atribui a Cristo Pastor a função de juiz universal dos povos. Mateus cria um cenário, onde instala um tribunal; e, aí, separa as ovelhas dos cabritos e proclama a sentença de absolvição das primeiras e de condenação dos segundos, em função de uma única atitude: a sua postura diante dos irmãos e irmãs mais pequenos, com os quais Cristo se identifica. A prática efectiva das obras de misericórdia marca definitivamente o nosso destino no Reino de Cristo, tenhamos ou não consciência disso. Este é o discernimento que Mateus quer que cada um de nós faça, aqui e agora, à luz da LUZ, que é Cristo, e da sua mensagem, agindo nos nossos corações. Aquele que fechar o seu coração ao amor, pelo egoísmo ou a indiferença para com o irmão e irmã que sofrem, não tem lugar no Reino de Deus; e quem insistir em conduzir a sua vida por esses critérios, ficará à margem do Reino.
Na segunda leitura, Paulo lembra aos cristãos que o fim último da caminhada do crente é a participação nesse “Reino de Deus” de vida plena, para o qual Cristo nos conduz. Nesse Reino definitivo, Deus manifestar-se-á em tudo e actuará como Senhor de todas as coisas. No fim dos tempos, por ocasião da sua segunda vinda, Jesus entregará ao Pai o Reino que Ele e nós com Ele construímos. Um Reino de pessoas vivas, constituídas em comunidade humana e cristã, que se amam mutuamente e se enriquecem com a herança cristã que nos foi legada por Jesus Cristo. A cada um de nós é confiada esta tarefa: a de começar a esboçar o Reino de Deus, no tempo e no lugar onde vivemos e actuamos, tomando cada vez mais consciência de que ninguém está dispensado de construir a parte que lhe cabe, por mais pequena e escondida que pareça.
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Rei do Universo
Ez 34,11-12.15-17; Sl 23 (22), 1-3.5-6; 1 Cor 15,20-26.28; Mt 25,31-46
Deolinda Serralheiro
