Abertas ^três sucursais de microcrédito Os pobres precisam de crédito. Não de subsídios. Esta é a ideia que está por detrás do microcrédito e que levou à abertura de três sucursais do Millennium bcp, no dia 8 de Novembro, especificamente para conceder pequenos créditos.
Os estabelecimentos, abertos em Lisboa, Porto e Braga (e, em breve, em Setúbal), têm como objectivo suportar o empreendorismo e combater a exclusão social. Os principais beneficiários são desempregados, micro-empresas, jovens licenciados, imigrantes e reformados.
O banco, em parceria com a McKinsey&Co, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Cáritas, prevê promover três mil projectos de pessoas e micro-empresas que não têm acesso ao crédito da banca tradicional, quer por o montante ser relativamente pequeno, não interessando às instituições financeiras tradicionais, quer por essas pessoas nem sempre oferecerem condições de garantia de pagamento do empréstimo.
Com um montante máximo de crédito a conceder que rondará os 15 mil euros, os projectos apoiados pelo Millennium bcp terão a duração máxima de 4 anos, com um período de carência que poderá ir até aos 6 meses. Por outro lado, o banco oferece gestores para apoio personalizado – do desenvolvimento da ideia à concretização do plano de negócio – e um serviço de formação em conceitos básicos de gestão.
Crédito micro, iniciativa macro
O microcrédito existe em Portugal desde 1998, através da Associação Nacional de Direito ao Crédito (www.microcredito.com.pt). A ideia de conceder micro-empréstimos a pessoas que querem ter o seu negó-cio (bastando, por vezes, poderem comprar uma máquina de costura, um telefone ou uma máquina de cortar relva), em vez de viverem da subsídio-dependência, nasceu com o economista Muhammad Yunus, no Bangladesh, ao criar o Gramenn Bank (“Banco da Aldeia”), um banco “para emprestar dinheiro a quem ninguém empresta”. O banco cresceu e é rentável, com uma taxa de crédito mal parado menor do que na banca tradicional, porque os beneficiados fazem tudo para corresponder à confiança neles depositada.
Graça Franco escreveu há dias no Público o que Muhammad Yunus lhe disse, ao passar por Portugal, vindo dos Estados Unidos, onde o programa de microcrédito estava a ter sucesso entre os sem-abrigo de Chicago e Nova Iorque. “No final – relata a jornalista –, [M. Yunus] disse-me qualquer coisa como isto: Sabe porque falham muitas medidas de combate à pobreza? Porque se olham os pobres como gente diminuída, pouco esperta, forçosamente preguiçosa, a precisar de seguir os conselhos dos que são mais ricos. Isso é totalmente falso. Os pobres sabem melhor do que ninguém do que precisam exactamente para sair da pobreza. Podem até ter muito mais vocação para o negócio e inteligência do que você. Quase sempre tiveram apenas menos sorte e menos instrução, mas não são menos inteligentes. Sabem, aliás, muito melhor rentabilizar os seus talentos e lutar pela sobrevivência. Tal como um rico que queira tornar-se empresário, precisam de crédito, mas dispensam subsídios e esmolas”.
