Aveiro tem “Banco do Azulejo” O Banco do Azulejo irá promover o contacto entre a autarquia e os proprietários, incentivando-os à preservação desse património
“Aveiro é um «cluster» da cerâmica e do azulejo”, afirmou o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Aveiro, Capão Filipe, na sessão de apresentação do Banco do Azulejo, porque, como sublinhou, em Aveiro “temos a educação de referência nacional”, nomeadamente com um curso universitário de referência, e “temos empresas que são referências europeias” que “estão adequadas à realidade económica do século XXI”.
Para além da autarquia aveirense apoiar a “preservação dos azulejos no local de origem” e, quando isso não é possível, através do agora criado Banco do Azulejo, Capão Filipe revelou ainda a intenção do executivo municipal avançar, “no futuro, com um local de exposição de azulejos”, que poderá mesmo ser “uma área museológica da cerâmica artística e da azulejaria”, tanto mais que “não temos falta de espólio, o que nos falta é um local para expor”.
O “Banco do Azulejo – Plano Municipal de Preservação e Valorização do Azulejo Aveirense” é uma parceria entre a Câmara Municipal de Aveiro, a Associação de Artesãos “A Barrica” e o CEARTE – Centro de Formação Profissional do Artesanato, que tem por objectivos gerais “reconhecer a importância da preservação da azulejaria de fachada em Aveiro e estimular a salvaguarda e preservação do património azulejar do concelho de Aveiro”.
Como no concelho de Aveiro, com destaque para os bairros mais antigos e tradicionais da beira-mar situados na freguesia da Vera Cruz, existe uma imensa variedade de padrões de azulejos que revestem centenas de fachadas (setenta das quais já estão devidamente inventariadas), o Banco do Azulejo irá promover o contacto entre a autarquia e os proprietários, incentivando-os a preservarem esse património. Para isso, o Banco do Azulejo irá fazer o diagnóstico de necessidades específicas de cada casa e, sempre que isso se justifique, activar a “fase SOS”, ou seja, selar as lacunas, de modo a evitar que caiam mais azulejos e que outros sejam roubados. Após isso, e de acordo com a vontade do respectivo proprietário, o Banco do Azulejo poderá tomar uma das seguintes medidas de apoio: cedência de originais existentes na “reserva municipal”, que neste momento integra mais de cinco mil exemplares, ou encaminhar o proprietário para efectuar intervenções mais profundas na casa, ao mesmo tempo que o apoio na aquisição de “cópias”, as quais serão feitas por artesãos da Barrica, devidamente credenciados para o efeito, após formação específica ministrada pelo CEARTE.
