Revisitar o Sínodo Diocesano Um Concílio, como já o disse, só se conclui quando é assimilado pela Igreja, quando as suas conclusões, propostas ou decretos, têm acolhimento pela prática consequente da família dos cristãos. De um Concílio marcado pela comunhão eclesial, uma das formas mais eloquentes dessa recepção é o esforço da caminhada em conjunto – a caminhada sinodal, o sínodo.
A Diocese de Aveiro fez uma caminhada sinodal, há dez anos concluída, no que respeita à sua fase de reflexão e conclusões. Ainda mal começado um ano pastoral, sob o lema “A Igreja ao serviço da pessoa e da sociedade”, parece-me oportuno “revisitar o Concílio” nas expressões que, a partir dele, o Sínodo Diocesano desenhou, como um caminho longo a percorrer, na identidade da Igreja local e no serviço da mesma à pessoa e à sociedade concretas da área da Diocese de Aveiro.
Poderá ser um exame de consciência… com propósitos firmes de emenda, ou confirmação de caminhos percorridos, com ajuste de perspectivas e serenidade para acolher o que já percebemos, em vez de reinventarmos o que está já tão claro, à espera de prática coerente.
O Sínodo apresenta como o “grande objectivo pastoral, integrador de todos os outros”, no que respeita à Igreja Diocesana, o seguinte: “A Igreja Diocesana é chamada, diariamente, pela acção do Espírito Santo e pela vida das pessoas e da sociedade, a viver e a promover, de modo orgânico, a COMUNHÃO que Deus quis fazer com os homens e a MISSÃO iniciada por Jesus Cristo Salvador, tornando-as visíveis e operativas em todas as comunidades, movimentos, organismos e estruturas pastorais, e exprimindo-se, assim, como Igreja de discípulos e de irmãos, que, fiéis ao Espírito renovador, se sentem servidores dos homens com critérios evangélicos”.
Duas reflexões/interrogações me ocorrem. A primeira sobre a dupla escuta e acolhimento que o Sínodo reclama: à acção do Espírito Santo; à vida e problemas concretos das pessoas e da sociedade, os permanentes e os novos. Importa perguntarmo-nos se se tornou mais notória a santidade da Igreja que somos – já que a santidade é a expressão palpável do acolhimento da acção do Espírito. Importa questionarmo-nos se as estruturas pastorais, as comunidades, os movimentos permaneceram dentro do templo e dos gabinetes ou se fizeram eco da descida à rua, sobretudo se as paróquias se tornaram a Igreja mais próxima das casas das pessoas. Qual é o balanço?…
A segunda será sobre a visibilidade do reflexo que a comunhão eclesial terá tido na realização do objectivo da Revelação – Deus estabelecer comunhão com os homens – tornando-se, desse modo, fermento de unidade e cooperação entre pessoas e grupos, de solidariedade entre povos, de acolhimento e integração inter-cultural e inter-religiosa. Que contributo, ainda, podemos ter dado para que a missão salvadora de Jesus Cristo tenha sido visível na elevação da dignidade da pessoa humana, na defesa da vida, na projecção transcendente da textura da dramática humana quotidiana. Que balanço também?…
Querubim Silva
