É preciso que estejamos acordados!

À Luz da Palavra – I Domingo do Advento – Ano B As ruas das nossas cidades começam a ficar ornamentadas com abundante iluminação e, tanto os pequenos como os grandes espaços comerciais, regurgitam de prendas, de enfeites e de gente. Algo se anuncia, como tendo um grande impacto sobre as pessoas, as famílias e as comunidades. Todos percebemos que vem aí o Natal. É por isso que a Igreja nos propõe uma preparação de quatro semanas, à qual chamamos ADVENTO, o qual abre o novo ano litúrgico. Começa com este domingo. A liturgia da Palavra fala-nos da esperança cristã, que é preciso activar, para que recebamos a salvação/libertação de Deus, que nos vem pelo nascimento de Jesus Cristo. Ajuda-nos a tomar consciência da nossa impotência em conseguirmos, só por nós, esta salvação/libertação dos males que nos oprimem, e convida-nos à vigilância, porque o Deus fiel pode chegar até nós a cada momento. Podemos falar de uma tríplice vinda do Senhor. Na primeira, o Jesus apareceu na terra e conviveu com as pessoas; na última, todo o ser humano verá a salvação do nosso Deus e contemplará Aquele que trespassaram; a intermédia é oculta e só os eleitos a vêem em si mesmos, e por ela salvam as suas vidas.

O evangelista do novo ano é Marcos, que nos dá um «empurrão», exortando-nos à vigilância, porque não sabemos quando chegará o Senhor. O Senhor Jesus já veio há dois mil anos, na humildade de uma criança; virá para cada um de nós no termo da nossa vida, com todo o esplendor da sua glória; e vem, espiritualmente, pelo poder da sua graça, a cada pessoa que esteja desperta e com atenção à vida. É preciso que estejamos «acordados», sabendo descobrir a presença activa do amor de Deus, que se manifesta nos acontecimentos e nas pessoas, e colaborar com Ele na transformação das sociedades e das culturas, de modo a que reproduzam mais a beleza, a bondade e a verdade divinas.

Na segunda leitura, Paulo exulta pelas maravilhas que a graça de Deus operou na comunidade de Corinto e assegura-nos que Deus é fiel às suas promessas e, por isso, também nos há-de enriquecer a nós, que esperamos em Jesus Cristo, até chegarmos à plena comunhão com Ele. A esperança é essa certeza de que os dons de Deus actuam em nós à maneira de fermento, fazendo-nos crescer em santidade no dia a dia da nossa vida.

Na primeira leitura, o profeta Isaías, certo de que o povo de Israel era impotente para, por si só, se libertar da servidão do êxodo, pede ao Senhor que «rasgue os céus e desça» para o salvar. Esta foi a expectativa dos que nos precederam na fé. Jesus Cristo é, na verdade, o futuro pessoal de cada um de nós, como o é da história e dos povos. Foi o futuro do povo de Israel e continua a ser, hoje, o futuro da Igreja e de toda a humanidade. Ele é futuro, não apenas porque vem do futuro, mas porque é portador do nosso futuro, com a sua vinda. Acreditamos que o futuro de Deus é melhor que o nosso presente? Já percebemos o alcance e a importância do Mistério da Encarnação? Já nos demos conta de que o presente da humanidade se está a destruir, porque não se abre e não acolhe o futuro, que é Jesus Cristo?

Leituras do I Domingo do Advento – Ano B

Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7; Sl 80 (79); 1 Cor 1,3-9; Mc 13,33-37

Deolinda Serralheiro