Contemplemos a ternura de Deus

À Luz da Palavra – Natal do Senhor A liturgia deste dia de Natal do Senhor convida-nos a contemplar a ternura de Deus, manifestada na encarnação de Jesus. Ele é a “Palavra” que se fez Homem (“carne”) e veio habitar no meio de nós, a fim de nos oferecer a vida em plenitude e nos elevar à dignidade de filhos e filhas de Deus.

Na primeira leitura, Isaías anuncia a chegada do Deus libertador, após o longo exílio de Babilónia. Este anúncio é feito em ambiente de festa, de alegria, de júbilo. Porém, este anúncio apenas prefigura a chegada de um outro libertador universal, que traz aos povos de todos os tempos e lugares uma salvação/libertação total e definitiva – Jesus Cristo – que hoje celebramos. A atenção vigilante que o profeta pede às sentinelas, a fim de se aperceberem da chegada do grande Rei, constitui um apelo a cada um de nós, para que descubramos a presença de Jesus Cristo na nossa história, sobretudo quando Ele se «esconde» nos mais pobres e rejeitados da comunidade humana. A certeza do nascimento de Jesus é, para mim, o maior motivo de alegria neste Natal?

A segunda leitura apresenta, em traços largos, o plano salvador de Deus. Insiste, sobretudo, que esse projecto alcança o seu ponto mais alto com o envio de Jesus, a Palavra viva e definitiva de Deus, que nós devemos acolher e escutar. Ao celebrarmos o nascimento de Jesus, extasiamo-nos diante do amor terno do nosso Deus, que acompanhou o seu povo ao longo da história e que sempre inventou formas de diálogo com ele. Por fim, envia-nos o seu próprio Filho, para nos manifestar o verdadeiro rosto de Deus e nos conduzir ao encontro da vida plena e verdadeira. Neste dia de Natal, somos convidados a avivar a nossa fé no Deus do amor e da relação pessoal, que continua a nascer no mundo e a querer dialogar connosco, e que persiste em nos propor um caminho para chegarmos à felicidade plena. Acredito que o Evangelho de Jesus é a Palavra viva de Deus, a Palavra plena e definitiva, através da qual Deus me diz como chegar à salvação, à vida definitiva?

O evangelho desenvolve o tema iniciado na segunda leitura e apresenta a Palavra viva de Deus tornada pessoa em Jesus. Indica que a missão do Filho é completar a primeira criação, anulando tudo aquilo que se opõe à vida e criando as condições para que nasça o Ser Humano Novo, aquele que vive em relação filial com Deus. A transformação da “Palavra” em “carne”, isto é, em menino do presépio de Belém, é a maravilhosa façanha de um Deus que nos ama até ao incrível e que, por amor, aceita revestir-se da nossa fragilidade humana, a fim de nos dar a vida em plenitude. Neste dia, somos convidados a contemplar, numa atitude de profunda adoração, esse assombroso sinal de Deus, expressão extrema de um amor sem limites. Hoje, como no passado, a “Palavra” viva de Deus continua a confrontar-se com os sistemas socio-políticos que geram a morte, em todas as suas formas, e a procuram eliminar, na sua origem. Como me situo face a esta problemática? Jesus, a Palavra viva de Deus, é, em verdade, a referência fundamental da minha vida? É Ele que orienta as minhas ideias e opções? Diante do menino do presépio, hei-de deixar-me interpelar por esta “Palavra”, por forma a crescer até à medida do Ser Humano Novo, nascido em Jesus.

Leituras da Missa do Dia do Natal do Senhor

Is 52, 7-10; Sl 98 (97), 1-6; Heb 1, 1-6;Joa 1, 1-18

Deolinda Serralheiro